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Fatima Dannemann

Noite de brilho e de prata
Noite de lua cheia
Noite de todas as estrelas no céu
Noite em que o mar parece um tapete de sonhos

No ar, uma música suave
No ar, apenas o perfume de flores notívagas
No ar, uma brisa mansa
e é noite
uma noite clara
abençoada pela lua cheia

A lua cheia sorri
como um bebê gorducho e bem amado,
namorados se beijam
amados distantes sonham
com o encontro ou reencontro
uma lágrima cai de mansinho no canto dos olhos…
alegria, saudade, ternura, amor…
Turbilhão de sentimentos numa noite de luar
Até fria,
mas suave como o toque de uma flauta doce…

E o brilho de prata da mãe lua
abençoa a noite…
Sonhos…
A hora de dormir não chega
A hora de dormir até chega
Mas eis que dormir sozinho é muito chato,
pensa alguem que busca a lua
nos olhos do ser amado…
E a lua sorri como um bebê gorducho,
mas é apenas uma mãe amorosa e compassiva
e o mar borbulha e quebra na areia
e a brisa beija a flor notívaga
é noite…
apenas noite…
hora de sonhar que o amor é possivel…
e o amor é…

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A Manhã
Svetlana Makarovic
Caminhas cuidadosamente entre os fragmentos do sonho.
as estrelas, grandes, pálidas e doces,
desvanecem-se no úmido amanhecer.
umas mãos pálidas desembrulham a noite

Timidamente sorves prata
da copa da madrugada

Os rostos cinzentos da noite cinza
rostos cegos encaram a cor cinza
e morrem
apoiados no teu ombro

Caminha com cuidado
exalam algo amargo
as ervas da manhã

– poesia e imagem da Eslovenia

Fatima Dannemann

Poetas do mundo
que cantam o amor e traduzem as formas belas
ou suas próprias sensações.
Poetas do mundo
troquem as musas e as motivações
e por um dia, falem sobre o amigo…

Ah, eu sei…
A poesia do amigo esbarra no lugar comum
e todos os poetas se perguntam:
Como falar de amizade
sem repetir frases feitas?
Como falar de amizade
sem parecer redundante?

Não se importem em parecer tolos,
quem ama sempre parece meio bobo
e quem tem um amigo, ama.
E ama de forma intensa.
E ama de forma mais apaixonada que se amasse qualquer musa,
pois um amigo verdadeiro sempre leva a amizade as ultimas consequencias.

Cantem, poetas,
sobre a amizade,
Cantem sobre o que significa dizer a um amigo “eu te amo”
e poder amar de forma livre,
sem egos, sem egoismos…

Cantemos todos, poetas ou leitores,
até os que desdenham a poesia,
cantemos em verso ou prosa.
Ou nem precisamos cantar nada,
a amizade é um sentimento profundo demais.
Sejamos amigos, então…
E vamos viver juntos um sentimento intraduzivel,
compartilhando todos os momentos,
talvez assim conseguiremos entender a amizade
em muito mais do as que palavras já ditas
por outros poetas
em outros tempos
e outras esferas…

Fatima Dannemann

O vulto na esquina
é o de uma mulher sem rosto
e sem nome.
Misteriosa,
como a alma da noite,
esconde a face
sob o véu de negros cabelos.
Apenas mostra
a boca rubra
de batom barato.

Sombria.
A mulher na esquina
tem cheiro de perigo.
Seu rosto alvo
sem contornos,
lembra ameaça.

A esquina,
numa noite de lua negra,
se divide entre amor e perigo.
Esterlas nem brilham
e a luz do poste esmaecida
revela uma mulher misteriosa.

Sombria.
Tal e qual um fantasma
ela revela a morte anunciada.

Quem é você,
vulto noturno?
Porque näo dorme?
O que procura perdida
na virada da rua,
espectral como fantasma?

E a mulher das sombras
ri sem ter dentes.
E seu riso gela a alma.
Ela não tem rosto, nem nome.
É apenas um vulto.
Talvez um fantasma.

Mestre cervejeiro… é muito. Mesmo para a que bebe a cerveja e não a que fabrica…

Mas eu gosto daquela propaganda. Menos do que a cerveja anunciada pelos mestres cervejeiros (os que tomam…) mas pelos mestres cervejeiros que bolaram a propaganda. Legal…

***

A propaganda me fez pensar em algumas palavras de cervejeira… olhe lá…

***

Eu já aprontei muitas. E daí? Tirando umas pessoas que eu conheço, que se acham santas, todo mundo apronta muitas. Mas, tem gente que não reconhece que apronta. Faz de conta que é inocente. Eu não. Aprontei, tá aprontado. Arrepender?…

Não se podem apagar todas as marcas do passado. Mas bem que podemos buscar sempre um novo caminho.

Palavra de cervejeira. A que nesse momento está tomando uma, porque ninguem é de ferro (nem de bit de computador).

(só pra constar, a cerveja da foto é tunisina… fiz essa foto em Djerba, onde tomei várias porque, depois de ter sido barrada em uma sinagoga, só tomando umas – e outras também… palavra de cervejeira)

 

Canto Profano
 
Fatima Dannemann
 
Profana sou
Nunca fui santa
E vôo por ares
nunca permitidos aos inocentes
Sou movida pelo vento dos audazes
e ouso.
Tal como fera, espreito
Tal como águia, pairo no ar
Eu brilho
Tal como uma fada de culto pagão
Solto-me no espaço
Sorrio
E ouso rir com o rugido das leoas
Não mais escondo minhas garras
Sou muito de fera e águia
E nunca santa
projeto-me no espaço
com toda plenitude
tal qual anjo
E sou mais que básica
Torno-me elemental
quase uma deusa como Afrodite ou Freya
mas não sou santa
e sou profana,
Sou mais que isso
E sou muito mais que isso
por ser de carne e sangue
por ter alma e sentidos.
E por não ser de cera,
e por ter alma e carne
Ouso traçar meu destino
E cruzo meu destino aos de outros seres
e misturo minha vida a outras vidas
sou a luz do fogo
e solto-me nas chamas sem medo
E me entrego a vida de outros seres
Já não tenho medo das feras
pois sou fera e fêmea
E aplaco a sede dos machos
e rasgo as vestes etereas e efêmeras
das falsas inocências.
Profana sou
mas vou sacralizando a vida
em mundos nunca revelados aos inocentes
e a loba engole a fada
E a leoa assume a menina.
Sou a luz de todas as faces de um  mesmo prisma.
Mas não sou santa, embora divina.
Tal como um totem abençoado
sou um marco de mim mesma
Sou um ser de veste de luz
e, sobrevoando águas revoltas, me solto.
E sou profana.
Nunca fui santa:
eu tenho luz.
 
madrugada de 21.6.2004 – com o sol quase em câncer..

 

Fatima Dannemann
O que mais me impressiona
nas cidades americanas
é que seu horizonte tem sempre arranha-céus…

Na janela do meu quarto
tem uma fada.
Asa de pirilampo,
corpo de sereia,
ela flutua na janela
meio curvada
como se quisesse
me contar alguma coisa.

A fada da janela
do meu quarto
usa chapéu de bruxa
e parece soprar um beijo
para alguém lá longe…

Na janela do meu quarto,
uma pequena fada
chamuscada
por uma vela cor de rosa,
toma conta das sombras
que tentam entrar
durante a noite…

A pequena fada
cabe na palma da mão
usa chapéu de bruxa,
mas esqueceu
a varinha de condão.
Diz ela que não precisa.
Coisas de fadas modernas,
encanta por si só.
Com suas asas de pirilampo.
Corpo de sereia.
E um top tão fashion
que parece ter sido
comprado em boutique.

Essa é a minha pequena
fada chamuscada.
Presa na janela,
a vigiar por mim…

Fatima Dannemann

Eu disse
Não quero mais poesias
Eu repeti
Chega de Versos
Mas as vezes
………………..
Textos quebrados
não chegam a ser poemas.
Nem todo verso
é espelho dos males do mundo…
As vezes…
…………………..
E pulo linhas,
abro janelas
(excessões, melhor dizendo)
e lembro:
até heavy-metal
é escrito em verso
então…

Fatima Dannemann

As vezes, o amanhecer me parece um processo complicado.
Não basta o sol nascer
para que um novo dia comece,
mas tudo vem acompanhado de uma complicada mise-en-scéne.
Começa pelo sol, que surge aos poucos
e só algumas horas depois é que lança
seus raios luminosos no ara com toda sua plenitude.
Não basta amanhecer,
é preciso acordar as pessoas
e fazê-las retomar a vida pensando, pensando,
pensando sobre a própria vida
como se as outras horas do dia não fossem feitas
para pensar na vida
e tivessem outras finalidades.
O amanhecer é tão complexo,
que antes mesmo de amanhecer
é preciso que o mundo faça um minuto de silêncio
ou mais que um minuto.
E esse silêncio deve ser quebrado por barulhos mecânicos.
O liquidificador que dispara na cozinha –
mas isso já falei em outro poema.
O riso dos bebados cantando “não se vá” –
mas isso foi quando morava em outro endereço.
E o ônibus que passa barulhento
e lembra: hora de trabalho, para quem tem trabalho, claro,
porque na terra do desemprego, quem trabalha é rei.
Amanhecer é um processo estranho.
O dia avança, mas os postes continuam acesos
até que alguem se lembre: é dia. E ai, apagam-se as luzes.
No banheiro, alguem joga agua fria no rosto,
um castigo por ainda ter sono
ou um modo de acordar a pulso e lembrar:
tenho que cuidar da vida.
Na janela, uma nesga de mar vai ficando
mais e mais azul.
Os quartos na casa em frente se apagam.
Alguem acordou, ou quem sabe, só agora foi dormir.
O amanhecer é uma peça de teatro
em cartaz em todos os cantos do mundo,
na mesma bat-hora, mas em bat-canais personalizados,
depende de quem vê o dia amanhecer, e como.
É a hora de olhar pro teto,
pensar na vida,
fumar o primeiro cigarro do dia e pensar:
– esquisito, hoje largo esse vicio.
É a hora das resoluções de dia novo.
E um renovar do tudo velho,
como o luminoso da farmácia que permanece aceso
lembrando: 24 horas, a exata duração do dia.
Amanhecer é assim: uma cena que se repete
todos os dias, em todos os cantos do mundo,
e que muita gente nem observa,
é apenas a continuação da vida.

– O amanhecer sobre a Medina de Sfax, segunda maior cidade da Tunisia, me inspirou a republicar esse poema

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