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Maria de Fatima Dannemann

Eu não amo meu GPS. Não. Até porque a voz de meu GPS não é a de nenhum artista que eu gosto mas apenas a de uma moça anônima qualquer que fala direitinho. Eu até poderia cair de amores pelo aparelhinho não só porque ele ensina como chegar a qualquer endereço do mundo como pela voz educada que sai do aparelho que eu nem considero amigo, apenas um prestador de serviços pelo preço de uma diária de internet. Eu me admiro quando eu erramos o caminho e o GPS apenas diz “faça o retorno assim que for possível”, na maior calma. Fosse outra pessoa, de repente alguém que eu verdadeiramente amo, e ouviria “sua anta cega, não viu que errou o caminho, não?” e tome palavrões.
O que tem isso a ver com o filme Ela? A voz cibernética. No filme, uma fábula. O sistema operacional Samanta ganha vida e se torna a companheira ideal de Theodore, um nerd solitário que está em processo de divorcio de sua namorada de infância, e tem como única amiga Amy, uma vizinha também em processo de divorcio e igualmente apegada ao mundo virtual. Mas, a fábula tem seus reflexos na realidade: as pessoas cada vez mais mergulham no ciberespaço como se isso fosse salvar sua vida do caos das relações falidas. Acaba se tornando mais fácil enviar um torpedo, um recado nas redes sociais do que falar pessoalmente com alguém. E quando o contato pessoal é inevitável ninguém parece se entender.
No filme, Scarlett Johansson faz a voz da Samanta pela qual Theodore (River Phoenix) se sente apaixonado e acredita que ela é exclusivamente sua e de mais ninguém. Assim como nas redes sociais (seja por smartphone ou computador) as relações travadas com milhares de pessoas são superficiais, muitas vezes imaginária (ninguém é feio na internet, nem problemático ou infeliz. Todo mundo é rico, veste grife e viaja pro estrangeiro, como um rei ou rainha), e Samanta confessa que conversa ao mesmo tempo com 8000 pessoas e se sente apaixonada por mais de 600, pelo menos. E então…
Em meio a ângulos inusitados de uma Los Angeles futurística (mas muito menos Dark do que a Los Angeles de Ridley Scott em Blade Runner), Theodore percebe que ele não é o único a conversar com o computador, ou celular, ou tablet ou sei lá o que for. Todo mundo está teclando, digitando, conversando rindo ou com seus sistemas operacionais ou com seus amigos reais ou virtuais mas que não estão ali. Cenas que vemos por ai todos os dias: pessoas com tablet, notebooks, smartphones teclando ou conversando com alguém distante. Ah, e em mesa de bar acompanhados por amigos ou pela família. Numa visível carência senão de afeto mas com certeza de Ibope.
As vezes parece que o mais importante não é estar na praia, na academia, num jantar ou numa festa: é mostrar aos contatos que está lá. Muitas vezes, o importante nem é emitir sua própria opinião, mas compartilhar e repassar as opiniões dos outros. Clicar em “curtir”, em “retuitar” em “compartilhar”, mostrar que viu e participa. E eu me pergunto a cada vez que encntro alguém na rua que me diz “ah, eu lhe vejo muito no face”: porque não me chamam pra tomar uma? Ou pelo menos ir ali na padaria comprar pão juntos? Nada. De longe é mais fácil. O imaginário pode ser como quiser e Samanta está lá no filme provando isso até que…
Lulu Santos mesmo disse uma vez numa música “tudo passa/ tudo sempre passará”. Pois é. A vida vem em ondas como um mar ou como os bits do ciberespaço e o filme mostra que nada, mas nada mesmo dura para sempre. Nem programas de computador. Vou ser chata contando o fim do filme, mas é preciso: Samanta vai embora. Como as velhas versões do Windows de que guardamos saudades ou não. A mensagem do filme, entretanto, é uma velha e óbvia verdade: nada é mais real do que a vida e está se dá nas relações. De preferência olho no olho, pessoalmente. E se alguma está falida, outra pode estar a caminho enquanto Theo e Amy assistem ao dia nascendo da cobertura do prédio em que moram.
PS: não é por nada não, mas eu adorei o elevador do filme que muda o cenário, pra quem não gosta de ambientes soturnos, é um achado. E antes que eu me esqueça, é bom falar sobre a música belíssima que compensa o figurino horroroso dos personagens principais.

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Fatima Dannemann

Eu nunca li um manual de redação. Nem os do jornal onde eu trabalhei. Nem daqueles famosos que são vendidos em livrarias ou banca de jornal. Em compensação, tinha uma moça num dos jornais que eu trabalhei que tinha todos e andava com eles para cima e para baixo. Eu me pergunto para que tanto manual se ela nem era repórter. O que ela escrevia? No máximo uma chamadinha de primeira página. E me pergunto: para que tanto manual? Nunca li nenhum deles porque sempre achei que as gramáticas já têm tudo. E nenhum deles, assim como nenhuma gramática, ensina a fazer um lead, a abrir um texto de modo atrativo, de uma maneira que conquiste o leitor logo na primeira frase e faça com que ele nunca mais lhe abandone (nas próximas matérias também).

A moça do manual (como era mesmo o nome dela, heim?) era uma dessas teóricas que pularam a janela da hierarquia e foi logo ser algo do tipo copydesk, subeditora. Nada contra os manuais, nem contra a pessoa. Nada também contra uma outra pessoa que dizia que não sabia como minhas matérias saiam boas porque eu não tinha técnica nenhuma. E eu pergunto: que técnica? Será que precisa técnica para pisar na lama de feira de São Joaquim com aquele insuportável cheiro de fruta podre e dar gritos de pavor quando uma enorme ratazana cruza seu caminho? E para que técnica para cobrir uma solenidade absolutamente desinteressante apenas porque o patrão pediu? O dia a dia de repórter de cidade se resume a mesmice. Não precisa de técnica, nem manual para transformar essa mesmice em algo interessante. E isso muitas vezes é difícil.

Tornei-me jornalista para concretizar um sonho. Realizei o sonho por um tempo, mas nunca passei de repórter: não me deram muita chance. Ouvia os editores nas reuniões dizendo: “podemos contar boas historias”. Concordo. Mas nem sempre é possível. As vezes é o tempo que conspira contra. Entre a hora que o repórter recebe a pauta, sai do jornal, chega no local da cobertura, a volta, o fechamento, não dá tempo. Bom, não dava. Hoje, com tablets, celulares, e todas as engenhocas que inventaram por ai dá tempo para colocar o texto no ar na internet até na hora que o fato acontece. Outras vezes dão três, quatro pautas e o repórter ainda sai acompanhado de fotografo com outras três, quatro pautas diferentes. E tem assunto que não rende muito mesmo. Então, contar boas historias como?

O jeito era esperar por uma pauta especial ou forçar a barra e transformar um assunto qualquer numa matéria melhorzinha. Mas nem para isso é preciso manual. O manual de redação para mim era algo chato que dizia o óbvio e que eu achava (e ainda acho) que não precisava ler. Quando me enrolava em alguma regra, ia para a gramática ou ao dicionário. Manual para que? Para pular janelas e chegar a redatora, pauteira, subeditora, editora? Eu achava que era possível chegar a tudo isso por talento. Mas não me deram muita chance, como a moça dos manuais deve ter tido (não sei pois ela nunca foi minha amiga). Em vez de manual preferia buscar outros leads, como uma matéria de policia que eu abri com uma poesia, ou contar as tais boas historias. Essas historias me renderam quase uma dúzia de prêmios jornalísticos. Mas eu me pergunto: pra que? Nunca passei de repórter. Será que eu deveria ter lido pelo menos um manual?
PS: na verdade, eu andava com dois manuais. O Manual do Peninha, nos tempos da faculdade, e o Manual do Manuel, um livrinho de piadas de português. Mas essas são outras historias.

Na falta de ter o que fazer, assisto, as vezes, Insensato Coração, da qual eu não gosto e chamo INSENCHATO CORAÇÃO, pois nem parece escrita pelo mesmo autor de Vale Tudo ou Celebridade. No começo da novela, o personagem Kleber (Cassio Gabus Mendes) era um jornalista de economia sério, profissional, empenhado em revelar as falcatruas de Cortez (herson Capri) um banqueiro cheio de “manhas” e carente de escrupulos. Os caítulos foram se sucedendo e eis que, de repente, o banqueiro foi transformado de trambiqueiro em mulherengo doido por “periguetes” mais jovens, todo o papo dele com os assessores se transformou em conversa sobre “vagabundas” como ele costuma chamar as amantes, enquanto Kleber, que seria o mocinho na historia foi transformado num viciado em jogo, alcoolatra, homofobo, que ainda por cima rouba faxineiras pobres e não paga a pensão da filha. Ai eu pergunto: o que Gilberto Braga tem contra o jornalista? trauma de alguma materia mal feita?
Não é a primeira vez em que o autor avacalha a minha profissão. Em Celebridade, Renato Mendes (Fabio Assunção) é inescrupuloso, mau e assassino. Havia um jornalista sério e competente que era alcoolatra. Republico uma crônica escrita na época de celebridade:

Jornalismo sério nunca será careta

Fatima Dannemann

Eis que assistindo uma novela, uma afirmação de um personagem me fez arrepiar dos pés a cabeça de susto e indignação. Na cena de uma reunião, um jornalista refere-se a outro, indicado para um cargo de confiança como “um cara careta, cheio de princípios retrógrados como ouvir mais de uma fonte, sempre buscar a verdade e ser imparcial”. Tremi nas bases. Não sabia que tudo pelo que lutei a minha vida inteira, a verdade, fosse careta. Sim, sei que muitas vezes fiquei de castigo, fui punida em escola, trabalho, por ser verdadeira, sincera, por falar a verdade e assumir meus erros, enquanto pessoas que mentiam eram até recompensadas com boas notas ou promoções. Sou daquelas que seriedade e verdade são, sim, princípios ousados por que exigem muito mais trabalho e mais coragem.

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Ouvir uma única fonte pode ser correto quando você vai entrevistar um cantor ou cantora sobre seu novo disco (e mesmo assim se você puder ouvir alguém da equipe técnica ou da equipe de músicos e arranjadores, sua matéria só cresce, especialmente em credibilidade) ou quando se trata de um médico que descobriu um remédio novo e está apresentando em algum congresso (e mesmo assim sempre que você puder enriquecer com outras fontes seu texto ou matéria de TV só ganha). Mas, mesmo quando o jornalista está presente e assiste aos fatos pode correr o risco da parcialidade, como cobrindo jogos de futebol, estréias de filmes e peças de teatro. Há muito no que prestar atenção para deixar de ser crítico e ser repórter, mas o modo como as redações trabalham atropelam o bom jornalismo.

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Há na Bahia um problema sério: as redações foram “encolhidas” com a desculpa de economia, redução de custos, etc. Eu, mesmo, estou desempregada há três anos. Se antes dos cortes de pessoal o jornalista já saia com duas e até três pautas para cobrir (cada pauta uma matéria, fora eventuais boxes e outros desdobramentos, claro que se tratando de matéroa com griffe de repórteres experientes, sérios e “caceteiros” como Levi Vasconcelos – falar de MFD vai ficar parcial e estranho e Levi, além de grande amigo, é um dos meus exemplos). Claro que isso compromete um trabalho melhor. É preciso mil negociações com o editor para convencer que tal assunto merece um aprofundamento no dia seguinte. Há quem simplesmente queime uma das pautas ou faça o trabalho “de qualquer jeito”. Isso, claro, compromete o jornalismo sério.

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Entretanto, mesmo com esses problemas: excesso de trabalho, condições de trabalho que deixam a desejar (no caso dos fotógrafos é pior, muitos saem com cinco ou seis pautas diferentes além das duas ou três do repórter), muitos jornalistas (pelo menos os do meu tempo) lutam para fazer um bom trabalho. Eu sei que mil interesses estão em jogo: é o anunciante, é a tendência política dos donos do jornal, é o interesse de um assessor de imprensa que sai distribuindo jabás e convites para festas e almoços com boca livre total, é o estrelismo de muitos jornalistas que acreditam que são os máximos dos máximos da intelectualidade mundial quando não passa de um trabalhador de uma linha de montagem que, com o jornalismo on line, passou a ter validade de algumas horas.

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Mas, a seriedade nunca será careta. Muito pelo contrário. A seriedade será sempre um ato de ousadia. No tempo em que as TVs oscilam entre o flerte com o poder da Globo, as baixarias dos Ratinhos e das Marcias, em que as revistas oscilam entre posição pró-americanos, nos tempos em que o must são revistas de fofocas com ilhas, castelos, faqueiros e coleção zen-superficialmente, é preciso ser mais sério ainda para não cair no descrédito. O público não é bobo e no fundo quer isso: seriedade. Mesmo que isto custe ao jornalista sacrifício, salários baixos ou mesmo desemprego. O que o personagem da novela falou foi um erro de cálculo. E todo mundo podia passar sem isso.

Fatima Dannemann

Teste, delete… Quantas vezes lemos isto na linha de assunto de um e-mail em branco? Pois, tirando esta frase do mundo da informática vemos que testar e deletar é tudo o que fazemos em nossas vidas. Testamos e somos testados. E vivemos a apertar a tecla Del em nossa alma para apagar de nossas vidas tudo o que foi, é ou parece ser desnecessário, ou não condizente com a nossa realidade, com nossas verdades.

Teste, delete… Experimentou? Não deu certo? Esqueça. Mude a programação de sua alma. Se tal comportamento parece mais viciado que um arquivo corrompido, apague e esqueça. Se tais relacionamentos parecem mais desgastado que uma versão primitiva ou experimental de um programa, apague… E depois reinicie a sua vida como se estivesse dando reboot em sua máquina.

Há horas em que a informática traz todas as dicas de como agir na vida real. Quando algo nos incomoda como um provedor com linhas eternamente ocupadas, quando algo nos tira do sério como a conexão que cai a todo momento… Só que na vida real, as conexões são necessárias para efetuar o “clean-up” em padrões nocivos, e zerar nossos carmas.

Deletar um programa, arquivo, até um vírus da quarentena, é fácil. Apagar marcas da alma é mais complexo, mas nem por isso impossível. Um upgrade nas virtudes que temos latentes. Quem sabe, procurando a humildade, ou a compaixão, ou o amor universal em nossos registros carmicos. E a partir daí dar uma ordem equivalente ao “instalar programas”. E a medida em que forem instaladas essas virtudes, procurar algo equivalente ao remover programas e tirar da alma todos os pecados capitais, os vícios… Transmuta-los.

Deixar a alma livre de arquivos perniciosos.

Pode parecer difícil. Não somos máquinas. Somos gente e interagimos a todo momento com todos os seres formando uma rede mais que perfeita pois foi concebida pelo Absoluto. E a sua semelhança. E não flutuamos como bytes em fios ou transferências de dados. Existimos em vários planos, tantos planos que é preciso ir fundo para procurar os testes e o que temos que deletar.

“Teste… Delete”… E a frase se repete nos e-mails como se repetem na vida experiências, testes, provas, provações. Bons momentos, horas mais tensas, problemas, soluções. Tudo se alterna. Altos e baixos. Picos de download, horas mais ociosas. Transferências de dados mais rápidas ou mais lentas. Seguras ou não muito confiáveis. E na rede da vida, somos usuários de nós mesmos. Pequenos seres na imensidão do universo. A todo momento apenas repetindo um mesmo procedimento, o de crescer com os testes e aprender com a vida, para que as versões presentes e futuras venham livres dos erros de script das versões passadas.

 

Maria de Fatima Dannemann

 

Apesar do início do single Cadê Dalila lembrar uma música de dança do ventre, a verdadeira Dalila foi uma palestina mencionada como traidora na Bíblia

 

                      Nunca se viu tanto equívoco como nos últimos tempos. No programa de Ana Maria Braga, Juliana Paes diz que um dos poucos lugares da Índia onde as mulheres precisam cobrir o rosto é nos Emirados Árabes. Um professor de dança diz que por causa de “Caminho das Índias”, “Dalila” deve ser a mais tocada. A Ásia entrou pela janela dos lares baianos, via rádio, TV ou mesmo o som do porta-malas do carro do vizinho e provocou esses erros. Dalila, agora imortalizada na letra de Carlinhos Brown e na voz de Ivete Sangalo, não era deusa, nem hindu, nem árabe: era palestina, uma personagem bíblica que ficou famosa por trair Sansão apenas por despeito.

                      Sansão, herói bíblico, era conhecido por sua força excepcional, apaixonou-se pela irmã de Dalila, Semadar, que foi dada a outro homem. Sansão fica revoltado e sai  barbarizando, além de desprezar Dalila que caia de amores por ele. Um belo dia, alguém mata Semadar para vingar-se dos prejuízos que o herói desprezado anda causando. Sansão jura vingança e a partir daí causa uma guerra sem fim até que ele se descobre apaixonado por Dalila que é procurada pelo chefe dos filisteus e convencida a descobrir o segredo de sua força. Somente por vingança ela aceita e corta os cabelos do herói. Os filisteus chegam, o agarram, furam-lhe os olhos e o levam para Gaza (desde aqueles tempos palco de discórdia). Lá, o prendem com duas correntes de bronze e o colocam para girar a pedra do moinho. 

                    Na prisão, seus cabelos voltam a crescer.  Um dia, os filisteus se reúnem para oferecer um grande sacrifício ao deus Dagon.  Na ocasião, mandam trazer Sansão para que se divirtam com ele. Quando o colocam entre duas colunas que sustentam o templo onde se acham cerca de 3.000 homens e mulheres, ele invoca a Javé pedindo-lhe forças para que se vingue dos filisteus com um só golpe, por causa dos seus olhos. Sansão, então, toca as duas colunas centrais e grita: “Que eu morra com os filisteus”.  Em seguida, empurra as colunas com toda a força e o templo desaba, matando a todos.

 

Clássico do cinema

 

                 Essa história tornou-se um clássico do cinema do pós-guerra com o filme de 1949 dirigido por Cecil B de Mille e Heddy Lamar no papel de Dalila.  O filme é considerado pela crítica  é um ótimo clássico bíblico.  “Além do cuidadoso trabalho de DeMille, o filme conta com uma direção de arte primorosa, uma trilha sonora espetacular, assinada por Victor Young, e um figurino fiel à época.  A talentosa atriz austríaca, Hedy Lamarr, no auge de sua carreira, é um dos grandes destaques do filme.O filme apresenta, ainda, grandes momentos, como a antológica seqüência final, quando Sansão destrói o templo do deus Dagon”, segundo a wikipedia.

                A Dalila do cinema, Hedy Lamarr, nome artístico de Hedwig Eva Maria Kiesler, (Viena, 9 de Novembro de 1913 — Altamonte Springs, 19 de Janeiro de 2000) foi uma atriz norte-americana nascida na Áustria. Uma das mais belas atrizes da história do Cinema, na Europa ficou famosa ao aparecer nua num filme de 1933. Em Hollywood, seu papel mais famoso foi o de Dalila, no filme Sansão e Dalila. Foi inspiração para Walt Disney desenhar a Branca de Neve, “a mais bela”, seu primeiro desenho animado de longa metragem (1937). Durante a II Guerra, curiosamente ela inventou um sistema de comunicação para as Forças Armadas Americanas na Segunda Guerra Mundial que serviu de base para o que hoje é a telefonia celular. Só se conseguiu construir um sistema desse tipo e que funcionasse a partir de 1958. Lamarr registrou a patente, fato que só foi divulgado para o público em 1981, devido as implicações militares. Casou-se seis vêzes e teve três filhos. Dalila é também o nome de três ciclones no Pacifico Oeste e a tempestade tropical que em 2007 devastou o México.

              Cadê Dalila, primeiro single do novo e esperado CD de Ivete Sangalo, Pode Entrar, não é a primeira música com Dalila na letra. Uma delas, de Cazuza, Nem sansão, nem Dalila, fala também do amor mal sucedido entre o herói e sua traidora: Dalila:/ Eu nunca fui Sansão/ Nem Rambo – tele-catch – bobão/ A minha pátria é a vida!/  Dalila:/ Você me dá um trabalho/ Não sou Hércules, nem nada/ facilite a parada!/ nem Sansão, nem Dalila/ Apenas dúvidas, feridas/ Você me corta, trai e atrai/ Mas é a vida, querida………

alpacas

alpacas

Fatima Dannemann

Não tem quem não se atrapalhe: qual o camelo? qual o dromedário? O camelo na carteira de cigarro Camel é um dromedário. Mas só soube disso quando conferi de perto, durante minha viagem a Tunisia e deserto do Saara, no ano passado. Camelo e Dromedário são parentes sim, mas não são irmãos gemeos. São primos ou algo parecido.

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O Camelo tem duas corcovas, é mais peludo e “mora” na Asia. Ele é visto principalmente nos desertos da China e da Mongolia (que são desertos, têm areia mas não são o Saara. Ou seja: a diferença entre os dois animais já começa por ai, pela “casa” dele). O Dromedário tem uma corcova só. E (isso sou eu que acho) é mais fofinho. Alguns cientistas dizem que o Dromedário tem duas corcovas também, mas uma é tão pequena que ninguem nota…

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Quem acha que este assunto é bobo, lembro que Camelo e Dromedário já rendeu uma música dos Titãs: Qual será a vantagem de se ter uma ou duas corcovas?/O que iremos formular é somente um questionário/ Qual diferença haverá entre o Dromedário e o Camelo? / E entre o Camelo e o Dromedário? /Postos frente a frente causam a mesma impressão/
Mas quando postos de lado faz-se logo a correção…

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E o Camelo e o Dromedário têm seus parentes aqui nas Américas. Quem são? Lhama, Alpaca, Vicunha e Guanaco. Pois é. Moram no Chile, na Patagonia, no Peru, Bolivia e por ai. Lhama eu já vi “pessoalmente”. É fofinha e parece que está sempre risonha. Alpaca e Vicunha eu achei que era coisa da industria textil. Não eram. São bichos, aliás muito parecidos. Guanaco eu achei que era algum tipo de Guacamole patagonio. Que nada. É um bicho muito fofinho parecido com a Alpaca, Vicunha e Lhama. A Lhama e a alpaca são domesticadas. O Guanaco e a Vicunha são silvestres. Mas esses… Po, pra distinguir um do outro é dureza.

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A lhama é peludinha e vemos sempre ela selada e enfeitadinha. O Guanaco – pelo menos nas fotos que eu vi – tem um rabinho curtinho e parece uma gazela. A mesma cara arisca. A alpaca é criada até em fazendas. Nas fotos, eu achei a vicunha a mais feia. Mas acho melhor falar das semelhanças desses seis bichos (o Camelo e o Dromedário, incluidos na lista, claro). Eles sobrevivem nas condições mais adversas: desertos, montanhas, lagos salgados, lugares inóspitos. Ainda assim têm uma certa docilidade. Ajudam o ser humano a vencer suas limitações. Assim sendo, se são feios, bonitos, quem liga?

Fatima Dannemann

A Globalização mudou a culinária. Comida típica na mesa dos baianos agora é salmão, carpaccio ah… e trufas de chocolate. Nada contra isso, pelo contrário, menciono com água na boca alguns dos meus pratos preferidos. Mas, por essas e outras é que a culinária da terra anda esquecida.
Muita gente desconhece o que seja um arroz d’Haussá (delícia das delícias para quem aprecia arroz e erivados), um bobó de camarão (tem gente que nunca viu um pessoalmente) e pior: desconhecem completamente,
o supra-sumo da culinária baiana, o rei dos pratos, sua magestade, o Efó.
Por conta da “culinária sem fronteiras” que estamos assistindo, estou há algum tempo sem provar o efó, uma delícia esquecida. Mas, ainda bem que já comi alguns efós (muito bem feitos, aliás) em minha vida, pois comer este prato é como beijar ou andar de bicicleta, quando a gente experimenta, nunca mais esquece porque só tem duas possibilidades, ou você ama ou detesta esse exótico prato feito com folhas e a mesmíssima base de temperos do vatapá, caruru e demais pratos baianos (culinária baiana é a mesma coisa que doce de aniversário, só trocar o leite condensado por dendê, camarão seco, castanha, gengibre, amendoim e cebola e você faz maravilhas com esses temperos).
O detalhe é que não achamos nem mais quem prepare um bom efó as donas de casa se queixam que a língua de vaca ou a taioba (folhas usadas para fazer efó) além de difíceis de serem encontradas nas feiras e supermercados (aposto que ninguém nem procura) não rende depois de cozida. Encolhe e tornam o efó economicamente inviável. Esse papo não cola muito não. Espinafre encolhe, couve encolhe e ninguém deixa de comer souflé de espinafre ou caldo verde por causa disso.
Uma pena disto tudo é que sem a baba do quiabo, o peso do vatapá ou do feijão fradinho, o efó tinha tudo para ser o grande sucesso das mesas locais. Leve, saboroso e acho que nem engorda porque é feito com folhas, e justamente por isso, politicamente correto nesses tempos de culto ao físico.
Muito me admira é que justo quando comer folha vira moda o efó esteja vivendo uma aposentadoria precoce e forçada. Acho que num canto da horta, a taioba e a língua de vaca pensam lá com suas nervuras: “o que o espinafre tem que eu não tenho?” É que soube que andam fazendo efó com espinafre como se fosse para ser servido ao Marinheiro Popeye. Mas, não deve ter o mesmo gosto. Mas, baiano come repolho (no árabe), alface (na salada), couve (no cozido), espinafre (nos lanches naturebas), mas não come mais efó dizendo que não rende e que as cozinheiras não sabem fazer.
Grandes coisas, a base é a mesma do caruru, vatapá e todos os pratos pois, como já disse, comida baiana é que nem doce de aniversário: só trocar um dos ingredientes e mexer a panela de forma diferente. Mas, a temperada é só a mesma e mais: o efó alimenta e os ecologistas iam adorar ver aquela coisa verde na tigela, parece musgo. Mas, como quem não tem cão caça com gato, estou indo até a esquina comer um abará. Quando nada, vem enrolado numa folha. De bananeira, mas verdinha que nem manda o figurino.

Fatima Dannemann©

Aonde mora a inspiração? Tem gente que diz que basta ver alguma coisa interessante e produz um desenho, uma música ou um texto. Não é bem assim. Sentar-se em frente a uma tela vazia de computador e encher de letras como se fosse uma linha de montagem dessas que trabalha no piloto automático? Não é bem assim. Onde mora o assunto? Cadê o tema?

Alguém me diz para lembrar dos amores… ou das dores. Em poesia, até vá lá. Amor rima com dor. Mas, em prosa a coisa muda de figura. E o computador é implacável. Está ali com sua tela aberta, pronto para mostrar as letras trocadas as frases começadas por minúsculas, acentos que faltam, os fatais erros de concordância, as vírgulas que faltam e as que estão sobrando.

Vírgulas, tremas, til, acento agudo. Pequenos detalhes que fazem os perfeccionistas mandarem a inspiração para as cucuias. O negócio é seguir os padrões, usar as palavras corretas. Dar um molho aqui, outro acolá e mostrar que em matéria de vocabulário a pessoa é fera, se bem que muita gente nem desconfiam o significado das palavras que dizem. Inove e verá: vai ter um bocado de gente lhe chamando de doido apenas porque você inventou uma coisa diferente. Excentricidades humanas.

E os parágrafos? Onde começar? Onde acabar? Quantas linhas? Pequeno demais, coisa de criança. Grande demais, coisa de gente prolixa que não sabe mudar de assunto. O médio, que seria o correto para muitos, é tão difícil de alcançar. Mesmo que seja um médio mais flexível, daqueles que aceitam variação ou margem de erros e acertos, para mais ou para menos, um pouco maior.

Diálogos? Comece com travessão e alguem lhe pergunta: porque não botou aspas? Bote aspas e lhe perguntam pelo travessão. Use o discurso indireto e nego diz que está monótono. Coloque um itálico, ao invés de aspas ou travessão e ninguém vai entender o que está passando por sua cabeça. Essa falta de consenso acaba com qualquer inspiração e pode matar um bom diálogo entre seus personagens.

Descrever, narrar, contar histórias, tudo isto acaba sendo bem mais difícil do que sonham muitas pessoas. Culpa dos detalhes. Detalhe demais, fica monótono, detalhe de menos, incompleto. Até mesmo quando o assunto é uma simples reportagem. Tem dez fontes, ouviu nove, tem gente de menos. Se ouvir onze, não precisava tanto. Mas reportagem é outra coisa. Não precisa inspiração, bastam os subsídios.

Se o texto é encomendado, entretanto, menos mal. Pior quando não é. Pode ser uma história, um romance, uma poesia, ou mesmo um e-mail a um amigo. Se a inspiração não bate, o resultado não sai. E vai se protelando tudo até cair no esquecimento. E morre o texto… A tela do computador continuará vazia. Implacavelmente em branco a espera das palavras.

Mesmo com o Natal batendo na porta, os comerciantes estão buscando na crise econômica mundial inspiração para seus anúncios. Em vários anúncios, o preço “antigo” do dólar tem sido a “garantia” de preços mais baratos. Detalhe: os produtos são nacionais.

 

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Apesar disso, muita gente está se limitando a singelas lembrancinhas neste final de ano. A desculpa de algumas pessoas é que a lista de pessoas a presentear  é grande e eles não querem deixar ninguém de fora.

 

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E o show de Madona, heim? Uma certa rede de lojas de departamento está sorteando ingressos para os shows, que vão acontecer no Rio e em São Paulo e estão custando fortunas. Pior que muita gente que vai nem gosta da cantora…

 

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Barak Obama virou mania mundial. Tudo bem, nos Estados Unidos não existe o ranço brasileiro de só haver liberdade de expressão para quem é a favor do governo, mas alguns programas de TV estão abusando nas piadas e gracinhas.

 

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Quem também não tem escapado a críticas é a primeira dama leticia, Marisa Letícia. Culpa do excesso de botox que ela colocou no rosto. Pior é Nicole Kidman que mesmo jovem está mais fake que a Barbie.

 

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Atenção cinemas: a programação da cidade está fraquíssima. Juntando todos os filmes do Cinemark (Shopping Salvador) e batendo no liquidificador não fica meio. É por causa da época. Guardam-se os melhores para janeiro e fevereiro por conta do Oscar.

 

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E ai, prefeito? O senhor já foi reeeleito. Agora vamos colocar a SET para trabalhar. Na Pituba, está reinando o caos. Carros em cima do passeio, sinais sendo invadidos por ônibus, pedestres sem espaço. Pior: perto da casa dos Barradas…

 

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O grupo de turismo e yoga na Índia capitaneado pela professora Ludmila Rohr, do Mahatma Gandhi, deve “bombar” em 2009. Um belo “gancho” para inspirar as pessoas deverá ser a novela Caminho das Índias que entra em cartaz em janeiro.

 

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E o Super-Chef, heim? Curioso, deveras curioso, foi o resultado do programa ter sido publicado no Globo.com muito antes de Ana Maria Braga ter encerrado as votações. Bom, pelo menos o vencedor não foi o Dalton, que não fez nada a não ser namorar.

 

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Falando em Globo e em Ana Maria Braga, a emissora e a apresentadora andaram forçando barra para lançar moda e alavancar audiência da novela Três Irmãs. Mas as roupas de péssimo gosto apresentada no programa são muito feias.

Fatima Dannemann

 

            Não, o dia não prometia ser dos melhores. Um vento forte soprava vindo do mar. A chuva caia fina entre os raios de sol que a nuvem escondia. Nos corações, tremulava uma bandeira verde-amarelo. E vestiu-se a camisa canarinho pela última vez naquela Copa. Os pulsos tremiam, a garganta prendia um grito que não vinha. O Hino Nacional passou batido enquanto alguém cantarolava A Marselhesa. E noventa fatais minutos depois pulso acelerado e grito sufocaram  transformaram-se num choro quase convulsivo. Era o Brasil dando adeus a sua maior alegria. Era a seleção de estrelas deixando o gramado e tirando do povo a alegria que ainda lhe restava, o futebol, pois a outra, o Carnaval, há muito lhe tiraram.

             Não, o dia não foi dos melhores. E a essa altura parecia um pesadelo. Enquanto o vento uivava como em filmes de terror e a chuva açoitava os vidros das janelas, a festa acabava melancólica. Parreira não deu frutos, ninguém ergueu a taça dessa vez. O clima esquentou e alguém dizia “a culpa foi sua por não gostar de Ronaldo”. Culpa… Porque o ser humano sempre insiste em culpar alguém por tudo e por nada? Parreira não escalou Cicinho, Cafu estava ruim. “Ah, Roberto Carlos, está tudo terminado entre nós. Não sou mais sua fã”. Um choque. Onde estava o time que goleou Gana? O que brilhou contra o Japão? Cadê a galera de 2002? E Robinha que não pedalava? Nem Dida fez milagre e tome bola francesa no fundo da rede. De quem foi a culpa, Ronaldinho?”

             Não, o dia foi simplesmente chato. Um daqueles sábados de chuva e jogo da Copa em que nem cinema funciona. “OK, você venceu, de manhã estava a maior animação na cidade”. Ninguém nega. Caixas da padaria da esquina contavam os minutos para ir pra casa. No marcadinho do outro lado da rua, os funcionários vestiam verde e amarelo e prometiam tomar todas. “E a final, gente, vai ser a maior alegria”. Só se for para franceses, alemães, italianos ou portugueses, quem sobrar para erguer o troféu e perenizar sua imagem no tempo e no espaço levando alegria para outros povos, gente que talvez nem ligue para futebol.

              Para o brasileiro… “Bom, nenhum político vai usar a Copa para ganhar a eleição”. Pelo menos. “Tem o final de Belíssima, essa semana, acho que o criminoso é Bia mesmo e pronto”. Grandes coisas. “Ah, quem sabe agora os ladrões do mensalão e do valerioduto vão presos”. Vão sonhando com algo mais difícil do que o hexa. E as conversas rolam sobre a mesa onde as garrafas de licor de genipapo repousam intacta (e quem seria bobo de tomar uma a essa altura do campeonato?). “Esquisito, mas o Brasil não jogou nada”. “Pô, Parreira é uma mula, que cara teimoso”. “E aqueles abraços no Zidane, heim? Que esquisito”. “Xi, será que rolou grana?”. Mães explicam aos filhos pequenos que choram “esporte é assim, um dia a gente ganha. Mas não se pode ganhar sempre”.

               Alguém lá na Alemanha soube como acabar com a alegria do povo brasileiro. Um povo sofrido que convive com problemas eternamente insolúveis: fome, desemprego, saúde, educação, a corrpução do governo. Para descarregar, Carnaval, que as elites transformaram em festa cheia de frescura e inacessíveis à maioria da população e futebol, com times deixando o povo furioso em muitos momentos. E a Copa… O destino do país entregue a onze pares de pés. Alguém finalmente descobre de quem foi a culpa: de uma capivara de pelúcia. “Você esqueceu de pegar a capivara, ta vendo ai? O Brasil perdeu”. O jeito agora é guardar a Capivara para 2010. Ai, quem sabe… Afinal, o mundo dá voltas.

 

Julho de 2006

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