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tuttifrutiehortela

 

As vezes dá vontade de pedir os sonhos de volta: a situação da vida mostra que a Era de Aquarius foi propaganda enganosa. É só ver a quantas andas a violência, por causa de uma merreca de R$11 reais, um jornalista foi assassinado na porta do hipermercado Bom Preço.

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Com isso, o filme da rede, que já andava queimado, fica simplesmente carbonizado. Outro dia, numa rádio FM, um famoso locutor lembrava as baratas e outros insetos que vão de “hóspedes” para a residencia dos consumidores junto comas compras.

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Apesar de ser facil corrigir o problema: basta comprar em outras redes e eles darão um jeito de acabar com as filas, os insetos e as discussões bestas por causa de troco. O dificil é convencer os consumidores de que eles não estão recebendo caridade e podem comprar em outras lojas.

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Enquanto isso, ruas e calçadas da cidade se tornam imagem do caos. Motos, bicicletas e até carros de grande porte sobem calçada em alta velocidade, para furar sinais fechados ou pegar vaga de estacionamento. Não, pedestre, não discuta ou você pode ser vitima de tentativa de assassinato.

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Sim, tem lugares onde não só é possivel como talvez seja até melhor ir de ônibus, taxi ou mesmo andando a pé. Mas a dependência de carro faz muitos seres humanos esquecerem que são bípedes, que podem andar, correr e fazer o que quiser sem depender de rodas.

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Falando em rodas, cadeirantes continuam se queixando não só do acesso ao ônibus mas tambem de como é dificil andar sozinho pelas ruas da cidade. Prefeito: que tal colocar rampas nas faixas de pedestre? Nunca sabemos do que vamos precisar algum dia.

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O prefeito, aliás, deve estar cortando um dobrado como se diz por ai. Nesses quase seis meses não fez nada alem de posar pra foto, dar entrevista sobre o metrô e a Copa do Mundo (tres miseros jogos, nenhum do Brasil). Barra, Pituba, Brotas, itaigara são a imagem do caos.

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Uma prova disso é o que acontece esta semana durante as chuvas do domingo para a segunda-feira, até bairros que ficam no alto, como Brotas, tiveram suas principais ruas alagadas. Acorda, prefeito, você é muito jovem para encerrar sua carreira em um único mandato.

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E como tudo acaba em festa, o povo começa a pensar no São João. Agências de turismo já começam a vender passagens e pacotes para diversos pontos do interior e até do exterior.

 

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tutti frutti

Esta foi uma quarta-feira de cinzas inusitada com um papa quase fora do Vaticano, mas o bispo de Salvador já anunciou: vai ter campanha da fraternidade.

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A saida do Papa Bento XVI quase abafou os acordes do carnaval. Quase. O marketing de alguns artistas foi mais forte. Saulo dando “tchau Banda Eva, Claudia Leite virando personagem de HQ.

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Falando em HQ, a fantasia de toureira de Ivete Sangalo mais parecia roupinha de Mangá Japonês. Ela lembrava Sakura Card Captor. O modelito transparente do ultimo dia estava bregaaaaaaa.

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Enquanto isso, jornais deitaram falação em Daniela Mercury (logo ela que tem um camarote 0800 para onde se dirigem varios representantes da imprensa). Tudo por conta de uma pancada acidental que ela levou.

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Daniela apareceu pouco na TV esse ano. E mesmo assim apareceu mais do que outros artistas, bandas e cantores que não apareceram hora nenhuma. Injusto. Mas a mídia prefere “novidades”.

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E as ocorrências? Várias como sempre. Apagões na Barra, transporte clandestino comendo no centro, sujeira se acumulando, roubos, arrastões e a galera preocupada com os espetos de churrasquinho.

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Saulo levou uma semana numa despedida de mentirinha (ele sai do Eva mas leva a banda que terá outro nome). Ele deixa o bloco, mas consolidou seu “tchau, mamãe” tocando pro povão. Para o ano, ele consolida sua parceria com Ivete Sangalo no Coruja e Cerveja e Cia.

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Esse ano, o movimento nos bairros de Salvador fora do circuito de Carnaval foi maior do que em anos anteriores, sinal de que muita gente, mesmo sem pular, preferiu ficar em Salvador (ou faltou dinheiro, sabe-se lá)

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Enquanto isso, o MSC Fantasia – que não chega a ser o maior navio do mundo mas é enorme – descarregou milhares de turistas em Salvador. Nem parecia que dias antes, um turista caiu do navio e se perdeu no mar de Santos.

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Dados tristes e perigosos foi o numero de foliões, especialmente jovens, que tiveram complicações de saude e correram risco de vida por excesso de alcool e drogas, principalmente extase.

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Enquanto a Transalvador fiscalizava o circuito de carnaval, Dois ônibus da BTU largaram seus carros no meio da pista da Avenida Paulo VI, um deles estacionado em cima da calçada e obstruindo garagem de um predio, para seus tripulantes merendarem. De pasmar.

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Falando nisso, a galera se queixando de taxi que não queriam cobrar a bandeirada pelo taximetro, mas arriscando sua vida em mototaxi. As vezes, o barato sai caro…

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E a saida do Papa repercutiu nas Redes Sociais. No Facebook, uma turma aproveitou a irreverencia carnavalesca e lançou a candidatura de Padre Pinto, ex-pároco da Lapinha, para o cargo.

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Os abadás – antes um traje completo, agora apenas uma camiseta – estavam de uma pobreza que eu vou te contar. Tudo muito igualzinho, mesmas corezinhas, dificil distinguir um do outro.

1 – voce sabia que muitos bons artistas baianos estão fora ou vão tocar na periferia da cidade e da festa porque “quem manipula e não pula o carnaval”?
Muita gente pensa que tudo se resume a Ivete, Claudia Leitte, Daniela, coisa e tal. Tem muito mais sonoridades e artistas fazendo o carnaval baiano. Só que muitos não aparecem na midia. Sabe-se lá porque.

2 – voce sabia que a primeira cantora a animar um bloco de trio em Salvador foi Laurinha Arantes no Cheiro de Amor na primeira metade da década de 1980?
Laurinha era vocalista da então Banda Pimenta de Cheiro que virou banda Cheiro de Amor e hoje nem sei que nome tem. essa banda lançou outras grandes cantoras como Marcia Freire e Carla Visi.
O bloco, nos primeiros tempos, foi um marco na cidade. Desfilava de macacão (depois mudou pra mortalha e depois aderiu ao abadá) distribuia rosas na avenida (sim, flores mesmo, naturais) e o trio tinha um dispositivo que exalava perfume.
Depois encurtaram o nome para CHEIRO – que eu não gosto, porque Cheiro pode ser furtum, catinga, nhaca e outras coisas desagradáveis…
Hoje não sei se as flores e o perfume continuam.
Ah, outro detalhe: o nome foi inspirado num jingle de motel que Maria Bethania gravou “de repente a gente fica rindo a toa sem saber porque……………..” cujo titulo era Cheiro de Amor…
– como eu sei disso? apois eu não fui colunista de carnaval por muitos anos na Tribuna da Bahia e não fiz exaustivas materias com blocos, cantores, etc? mas isso foram em outros tempos. Não tinha camarote, não tinha abadá, não tinha estrela…

3 – voce sabia que o circuito oficial da folia é o da Avenida? pois é. A Barra ganhou força nos ultimos tempos por conta dos camarotes. No centro, na verdade, nem tem como construir aquelas megaestruturas da Orla.
O circuito era meio caotico. Bloco vinha de um lado, vinha de outro e virava e mexia rolava porrada. Ai organizaram mais ou menos no mesmo sentido do transito normal: vai pela Avenida Sete, volta pela Carlos Gomes. Eu já peguei o carnaval assim.
Quando não tinha trio, estrela, midia, camarote, o bloco (com banda de corneta) passava, ai parava nas barracas e o povo ia ficando. Muitas entidades acabaram por conta disso, Na segunda parada, havia falta de quorum de foliões e a banda estava desfalcada.
Ah, os blocos saiam de onde queriam pelo que me contaram… O carnaval de rua era mais povão mesmo. Mas, dois blocos levaram a society e os famosos para a rua: O broco do jacu, do compositor Walter Queiroz e seus amigos, e o Bloco Amigos do Barão, formado por associados do Baiano de Tenis (falo mais sobre eles depois). Por enquanto, vamos ao circuito.
Tinha tambem blocos só de homens Internacionais (que encurtaram para o ridiculo termo Inter) e Corujas (hoje misto e pilotado por ivete), os de indio, etc. Falo disso depois…
Bom, com esses blocos todos, começaram a fazer fila para a saida dos blocos e o Campo Grande tinha mais espaço. Tiraram o palanque da Praça Municipal (um palanque mesmo, tosco que dava dó) colocaram no Campo Grande e inventaram uma ordem de saida de acordo com a idade dos blocos.
Depois disso, começaram a fazer arquibancadas, camarotes, a televisão resolveu mostrar o carnaval da bahia cheio de artistas doidos para aparecer e o resto já se sabe…

4 – Voce sabia que o primeiro bloco a usar abadá foi o EVA?
O nome do bloco é uma homenagem a Estrada Velha do Aeroporto onde um dos fundadores tinha um sitio (estou escrevendo “de cabeça” então perdoem os erros).
Pelo Eva passaram varios artistas hoje famosos como Ricardo Chaves (pra mim um dos top de linha da musica pra pular baiana), Durval lelis, Daniela Mercury, Ivete Sangalo, Emanuele Araujo (hoje atriz de novela, o que ela faz melhor do que cantar, desculpem) e vai por ai.
Bom, até o Eva inventar o abadá, todo mundo saia de mortalha. Só que faz um calor retado aqui no carnaval e todo mundo pegava aquele trambolho e amarrava na cintura. Foi um belo saque: encurtaram a mortalha, transformando numa túnica, e acrescentou-se uma bermuda amarrada na cintura. O nome abadá, segundo me informaram numa entrevista que eu fiz na época, era inspirado na capoeira.
Hoje é só uma blusinha que custa caro pra caramba. E a pessoa nem distingue mais um bloco do outro.

5 – Voce sabia sobre o carnaval da Bahia que tinha uma categoria de blocos chamada Bloco de Indio?
Pois tinha. Commanches, Tupys, Apaches do Tororo, Os destemidos, Os desajustados e sei lá quantos outros. Na verdade, eu confundia os indios com os blocos de percussão (tinha banda só de percussão, sem corneta).
Os trios com seu som de 400 mil decibeis mataram esses blocos.
Tinha gente, a bem da verdade, que levava a “indigenice” ao pé da letra e ia pra rua barbarizar. Uma vez, um desses blocos se envolveu numa porrada sem fim com os mauricinhos do Bloco do Barão (amigos do barão). Acabaram na delegacia.
O Commanches, coitado, se envolveu num dos piores acidentes da historia do carnaval. O carro de som (especie de trio elétrico pre historico sem banda em cima) faltou freio na Ladeira de São bento, quase praça Castro Alves. Atropelou gente, entre mortos e feridos, foi uma das coberturas de carnaval mais tristes que a imprensa baiana fez.
O Apaches do Tororo era (não sei se ainda existe) o mais famoso. Tinha uma vasta programação cultural que incluia um festival de musica.
Uma música que lembra a época mais indigena do carnaval da Bahia ia matar os polticamente corretos do coração e diz assim “eu vi um indio, enrolando a pamonha, fumando cachimbo a que fumaça sem vergonha”

6 – voce sabia sobre o carnaval da Bahia que muito antes das paradas gays, um transformista era o principal destaque num bloco de artistas, celebidades e gente chic de Salvador?
Era Valeria, destaque absoluto no Bloco do Jacu.
No periodo mais desgraçado da ditadura militar, o Broco do Jacu desafiou todas as regras saindo sem corta, arrastando uma multidão que incluia ricos, pobres, mais ou menos, famosos, anonimos, enfim tudo e todos, quem comprava, quem não comprava mortalha, gente de mortalha nova, mortalha velha, mortalha customizada, sem fantasia, de roupa comum mesmo.
A cor era azul turquesa. Todo ano tinha música nova, invariavelmente composta por Walter Queiroz, todas ganhando uma versão politcamente incorreta que o povo cantava de cor e salteado. Mas, a partir da criação de blocos mais “jovens” como o Camaleão e o Traz os Montes (esse acabou faz tempos) entre outros que não deram certo, todos com trio, cordas, carro de apoio e outras novidades, o bloco não resistiu.
Hoje, os velhos tempos (e inegavelmente bons) viraram apenas memória.

 

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