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elemento água segundo eu mesma

cachoeira. esta, aliás, é Havasu Falls no Grand Canyon.
Pois é. Nada mais água do que uma cachoeira, ou as ondas do mar.
Um dia, tive grilos por ser pisciana, regida pela água.
Hoje, vejo a força do elemento que abre caminhos, que constroi e destroi, que nutre e castiga.
Sim, sou peixes e sou água. Graças a deus porque terra e ar, sem agua não têm vida…

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foto by Dan Heller

essa foto é de um cara chamado Dan Heller
Postei ela hoje por conta de um papo ontem a noite sobre lojas de departamento. O Brasil é esquisito. No mundo inteiro, lojas de departamento são o must. No Brasil, pelo menos na Bahia, sobraram a CeA, a Riachuelo e as Lojas Americanas.
Mas já teve um tempo em que, mesmo nos shoppings, o in eram as lojas de departamento. Principalmente a Mesbla. Ah, e a Slopper? Acho que nem a Daslu era tão chique. Mas isso foi no tempo do Brasil de bom gosto. Coisa que acabou há uns cinco ou seis anos. Uma pena.

  

 

 

Fátima Dannemann

 

             Daniel é o cara honesto, decente, que se fez por seus próprios méritos, tão bom caráter que prefere ficar desempregado a ceder a princípios que ele não concorda. Olavo é o oposto. Puxa-saco, do tipo que quer subir de qualquer jeito, o que ama o poder mais do que a própria vida, é capaz de tudo para ficar por cima. Antenor é o chefe que a todo momento alega as dificuldades que passou na vida como forma de justificar truculência e maus modos. Basta falar sobre o trio de protagonistas para sentir que há algo diferente no reino de Copacabana. Pelo menos na Copacabana retratada nos últimos meses em Paraíso Tropical, novela de Gilberto Braga e Ricardo Linhares, no horário das 20h na Globo.

              Essa foi uma história de homens. Chefes, subalternos, executivos, empregados, estudantes, empreendedores, marginais, escroques, bon-vivants, mas principalmente homens com todos os seus pensamentos, sentimentos, afirmações e contradições. Homens que choraram, riram, amaram, odiaram, traíram, mataram, mas que levaram a vida com mais intensidade do que as protagonistas femininas. Foi diferente, por exemplo, de Celebridade, do mesmo Gilberto Braga, em que duas mulheres disputaram o amor e o poder até os últimos momentos (Maria Clara e Laura). Foi diferente, também, de Senhora do Destino, onde a Maria do Carmo de Suzana Vieira deu as cartas do primeiro ao último capítulo. Essa foi uma história de homens. Se não para eles, mas sobre eles.

             Talvez porque os homens estejam mudando. Não são mais as figuras que amedrontam mas os seres humanos que não tem vergonha de serem homens e serem felizes. Sim, porque sempre pareceu – pelo menos nas novelas – que a busca por amor, afirmação pessoal, equilíbrio emocional foi uma prerrogativa das mulheres. Ai, o mais machão da história, o Antenor Cavalcante vivido por Toni Ramos, aparece chorando abraçado ao pai Belisário (Hugo Carvana) sem ter vergonha de se mostrar frágil, sensível e até arrependido das inúmeras besteiras que andou fazendo como contratar Tais para separar Paula e Daniel ou demitir a ex-amante Fabiana. Ele corre atrás de Lucia, pede perdão, implora que ela volte para ele, coisas que, qualquer pessoa diria, seria exclusivo de “mulherzinhas” em folhetins do passado.

           Paraíso Tropical é na verdade um emaranhado de clichês sem nada de novo. Já houve outras histórias de gêmeas más e gêmeas boazinhas, de assassinatos em série, de promoters pouco honestas, de menininhas que casam com ricaços por imposição da mãe ou mesmo para salvar o emprego dos pais. E outras novelas já tiveram inúmeras cenas na praia (de Copacabana ou do Nordeste, o Oceano Atlântico é exatamente o mesmo). Mas mudou o ponto de vista. Olavo, por exemplo, poderia ter um nome de mulher. Poderia ser Mariana, Quitéria, Isabel ou qualquer outro. É aquela pessoa que puxa o saco do chefe e quer derrubar todo mundo na tentativa de chegar ao topo. Mas foi Olavo. O que chorou de frustração quando alguém lhe disse “você pode ter tudo, Olavo, mas nunca terá o amor das pessoas porque você é amargo por dentro”.

            Pois é. Os homens choraram em Paraíso Tropical. De ódio, como Olavo, arrependidos como Antenor, de frustração, como o joalheiro Evaldo vítima das tramóias de Tais. Emocionados apenas, como Daniel. Choraram, mas nem por isso foram menos homens, independente de serem bons ou maus. Paraíso Tropical foi uma história de homens. Pode ser que tudo caia no esquecimento. Mas alguma coisa mudou. Rodrigo e Tiago apareceram abraçados, assumiram que são casados. Heitor mostrou que não é preciso um bom emprego para ser feliz, mas seguir seus sonhos acima de tudo. E foi cozinhar. Coisa de mulher em outras novelas. Mas a coisa mudou. Os meninos foram à luta. Cássio resolveu vender um restaurante somente para aproveitar a vida “senão não vale a pena ter dinheiro”. Mateus resolveu ganhar mais do que a mesada dos pais. Alguns foram pro crime. Outros não saíram da sarjeta. E outros gastaram sua massa encefálica bolando planos para derrubar as outras pessoas. Acontece. Bons, ruins, aplaudidos pela crítica ou vaiados pelo público. Os homens dominaram a novela das nove. Talvez porque eles também assumem que assistam novelas. Ou então…

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Ilha de Skye, lá nos cafundós do norte da Escocia: porque na noite do Halloween, é preciso um clima de brumas de Avalon.
Visitei o castelo do clã Mc Donalds, uma destilaria de whisky, mas o que me chamou atenção foi a quantidade de lagos de água salgada. Ah, e um certo ar de magia. Um sol meio de lado, furando as nuvens com lindos raios… Meses depois, passando por outro lago, o Dique do Tororó, escrevi isto aqui:

Canto para as águas mansas

Fatima Dannemann©

Dorme o lago cercado por montanhas
Sombras que ameaçam
Brisa que murmura

Que mistérios existem em suas entranhas?

As brumas que lhe encobrem
são véus
de nuvem com ares de céu

Que monstros e mitos se encobrem sob tuas ondas?

Uma nesga de sol
rasga suas águas…
Molha de luz a superfície gelada
e é como espada
a rasgar a carne inerte

Que luas te banham de prata?

Gaivotas gritam
Cisnes deslizam no silêncio
Um barco apita

Será que dentro do lago existe vida?

O vento beija a água
uma onda se arrepia
e quebra na margem
borbulha…
Um canto de água que chega ao céu
e explode na terra

E as águas do lago correm mansas
a elas pouco importam tempo e espaço
ontem, hoje ou amanhã
A elas só importa o vento…
seu vai e vem
e vai e vem…

Tava almoçando e pensando umas coisas, vejam só.

A gente liga para alguem. Mas esse alguem não está. A pessoa que atende, geralmente secretárias, respondem:
– Dr Fulano não se encontra
Dá vontade de responder: “Tadinho, ele está perdido, sem eira nem beira, não se encontra? Chamou o psiquiatra?”

Outra, a gente ouve no telefone “você me retorna a ligação…”
pensei numa cena bizarra. O cara desliga o telefone. passa um tempo toca a campainha… dlin, dlooooooon
aparece um panaca com um telefone na mão: “olha aqui a ligação que você pediu para retornar, mas eu acho que roubaram o fio no ônibus”

Ligamos para o suporte do Velox ou para outro setor de reclamações de qualquer outra empresa:
– deseja alguma reclamação?
(essa eu falei): “não, liguei para perguntar como vai sua mãe”…

numa loja tipo a Zara (metida a besta, cara mas com mais pose e fama do que merece), com produtos na mão, indo para o caixa:
– você deseja comprar alguma coisa?
(me perguntaram mesmo… deixei sem resposta)…

outra: dá para fechar a porta por causa do cachorro
a empregada do primeiro andar: ele não morde não
de novo: dá para fechar a porta por causa do cachorro
a empregada: ele não morde não
na terceira: anta, eu não perguntei se ele morde…
ela: ce quer que feche a porta, é?
(aconteceu mesmo, no primeiro andar onde tem um poodle insuportável e que morde mesmo)

– tem shampoo pra cabelo bonito?
– não, mas tem pra ponta ressecada
– eu quero um shampoo para cabelo bonito, normal, que não precise nada?
– ah, pra frizz? ou para chapinha?
– anta, eu por acaso dou chapinha no cabelo?
– ah, seu cabelo é bom assim mesmo, é? (de novo, aconteceu mesmo, no Shopping Salvador, quando acaba – culpa das peruas que vivem fazendo escova progressiva. quem não faz nada, como eu, sofre: ninguem acredita)

quem quiser enriquecer a lista,
esteja a vontade

 

 

Fatima Dannemann

 

            

            Você conhece alguém do Acre? Você já viu alguma foto do Acre? O Acre existe ou é uma lenda criada pelos extra-terrestres? Antes que alguém possa rir, aviso, isso é serio e ocupa várias páginas da busca do Orkut. Várias comunidades foram criadas apenas para discutir se o estado mais a oeste do Brasil existe de verdade ou “é uma obra de ficção”. O Acre existe, claro. É tão real quanto o Rio de Janeiro, apenas não aparece na mídia. Assim como não aparecem Rondônia, Roraima, Amapá, e mesmo os mais “chiques” Mato Grosso, Amazonas e Pará. Mas destes três, ninguém duvida. Pipocam comunidades para discutir existência de um Brasil pouco visto, pouco conhecido, pouco mostrado e visitado embora, quem se digna a pesquisar fotos e sites descobre lugares interessantes, sítios históricos e vários endereços que, se o Brasil fosse outro Brasil, seriam um must entre os turistas que têm cultura e dinheiro.

            Distantes dos grandes centros, desprezados pela mídia, esquecidos pelas agencias de turismo (até porque são estados carentes de infra-estrutura e de investimentos na área de turismo e hotelaria), os ex-territórios promovidos a estado sequer são nomes de rua em cidades como Salvador onde Acre e Amapá continuam sendo chamados de “território” e Rondônia e Roraima ainda são Guaporé e Rio Branco. A culpa, dizem, é da mídia, especialmente da televisão, que só mostra o norte do país  quando há crimes como a morte de Chico Mendes, escândalos políticos, como o que envolve os deputados de Rondônia, ou conflitos indígenas, enquanto as novelas insistem em mostrar cidades violentas como o Rio

como verdadeiros paraísos onde ninguém nem trabalha e só vivem na praia pegando onda. Não é assim não, violão.

            A culpa é da mídia e é também da própria sociedade que adora estereótipos. Para muita gente, baiano come acarajé o dia inteiro e toma banho com água de coco, qualquer nordestino tem cabeça chata e os gaúchos são homossexuais somente porque o modelo da calça de seus trajes típicos é um bocado estranho. No caso do Acre, o mais grave é que professores de geografia são os primeiros a fazer piadinhas sobre a não existência do estado. Tudo bem que ninguém nunca ouviu a locutora do aeroporto dizendo: “passageiros com destino a Rio Branco, embarque imediato no portão tal”. Mas, sabe-se lá quantas conexões são necessárias até sair do todo poderoso – e de certo modo racista Sudeste-  até os confins do Norte do Brasil? Apesar disso, moradores de Rondônia (tão longe quanto o Acre, mas atualmente mais famoso por motivos pouco elogiosos – a questão dos deputados) já chegaram a Bahia e de carro.

            As comunidades podem ser engraçadas, ter tiradas de humor, mas revelam algo muito triste alem do descaso para com o norte do Brasil e o esquecimento da mídia: a ignorância dos estudantes brasileiros. Muitos não se abalam em aproveitar o “gancho” para pesquisar ou mesmo procurar fotos e conhecer esses lugares (incluindo Roraima, Amapá e Rondônia) um pouco mais. Preferem todos ficar na gaiatice embora os moradores, nativos e simpatizantes do Acre, Rondônia, etc, tenham criado comunidades pra falar de seus estados e cidade.

            Enquanto a discussão persiste no Orkut, algumas comunidades dizem que “Acre is a lie” outras dizem que “O Acre existe, ora” logo no titulo, há quem aproveite para fazer gracinhas e digam que bem que a globo podia fazer uma novela em que a mocinha iria migrar para o Acre em busca de uma melhor qualidade de vida com mais verde e mais ar puro em vez da poluída e conturbada Miami. Talvez assim, América fizesse mais sucesso. Aliás, falando em América, advinhem para onde o pai de Tião se muda nos primeiros capítulos da novela? Será que foi por isso que o diamante que ele achou na Mina nunca chegou a sua família?

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