foto Guga Lima

Fatima Dannemann

Fazem dois dias que parecem que todos os santos deixaram a Bahia. Fazem dois dias que saques, roubos e até homicidios tomaram conta de alguns bairros da cidade. Uma parte da corporação de Policiais Militares baianos entrou em greve e com o movimento, acabou a paz no estado. Boatos, protestos, arrastões, tudo isso trouxe não só para Salvador como para outras cidades baianas, um clima de medo que culminou com uma noite de sexta-feira silenciosa, quase triste.
Não, eu nem poso cobrir a greve. Não dariam informações a uma jornalista reduzida a condição de blogueira. Mas eu posso traduzir o clima que me cerca. A principio, eu nem acreditei na greve. Ontem pela manhã, no cabelereiro, achei que era brincadeira. Encontrei a academia de ginástica praticamente vazia. Um dos professores atrasou mais de meia hora. “Por causa do Rio Vermelho?” Não, por causa das manifestações. Na TV, um desses programas sensacionalistas que eu abomino mostrava a situação da policia baiana, desaparelhada e ganhando uma merreca.
O síndico pediu ao porteiro atenção redobrada. No Facebook, encontrei opiniões divididas. Algumas pessoas pediam calma. Outras mostravam fotos dos ônibus atravessados na Paralela. Mas eu ainda achei que a situação parava por ai. Não parava. No supermercado, hoje de manhã, um vazio. Em vez de filas enormes, caixas ociosos e atendentes doidos para cortar presunto e queijo ou colocar salada nas quentinhas para passar o tempo. O povo estava recolhido em casa.
Os jornais sérios revelaram a verdade. Lojas arrombadas na Liberdade. Onde deveriam estar penduradas TVs de Led e dezenas de polegadas, não havia nem parafusos. O numero de homicidios aumentou em alguns bairros. Soldados do exercito, marinha, aeronautica chegaram para patrulhar a cidade. Uma imagem que deu medo: lembrou guerra com os “milicos” armados até os dentes. Alguem postou no Facebook: até os bares do Rio Vermelho cerraram suas portas.
Agora a noite, parece sexta-feira santa. Aqui, na Pituba, nem na sexta feira santa é tão parado. Uma butique de luxo fechou cedinho, a loja de whisky, idem.O caminhão de lixo veio recolher mais cedo. ônibus, só de caju em caju. Helicopteros deram voo rasante no Pitubaville, depois pararam. Tirando uns meninos jogando bola num prédio vizinho, está tudo parado. Só a birosca onde a policia e os motoristas de ambulância se misturam aos mauricinhos e patricinhas lanchando de madrugada esta aberta. E nem são 21h. Parece 2, 3 da manhã. Uma tristeza.
Ai, vi uma imagem da chegada em Salvador, de avião. Quem passa sobre a cidade vê apenas o lado belo do planeta. azul, com toques de branco. quando transcendemos os problemas sobra isso, uma visão de paz, serendade… quem dera fosse verdade, são dois ou tres dias de inferno. Fim de semana com festas canceladas. Onde estão os todos os santos da Baía?
Bom, espero que tudo isso passe; Encontrei Atenas em meio a protesto de estudantes sirios e ainda enfrentamos um arrastão que nem os que ocorreram aqui. Em Buenos Aires tinham sem terra fazendo protesto na principal praça. Vi pivetes numa sinaleira de Viena, ciganos numa praça de Cracovia, protestos que paralisaram a principal avenida de Paris. Ah, e estive em São Paulo quando teve um apagão dois dias depois do comicio das diretas. Nem por isso vou deixar de voltar a nenhuma dessas cidades… Prefiro lembrar as coisas boas. Assim como nossa cidade tem coisas lindas e ótimas apesar do PT, do governador, do prefeito, das igrejas de crente, dos politcamente chatos, dos provlemas e de tudo mais… Prefiro acreditar que tudo isso vai mudar MESMO depois de outubro. Que venha um novo prefeito. Quero que Salvador volte a brilhar como sempre brilhou. QUE NOSSOS TODOS OS SANTOS NOS ABENÇOEM.