Passei em Sevilh algumas horas. È pouco, muito pouco. Mas eu estava em um ceuzeiro maritmo, o navio para em Cadiz (uma bela cidade andaluza), navio tem hora pra chegar e hora pra partir e o jeito foi correr pra ver, pelo menos o principal da cidade, a quarta maior da Espanha, perdendo apenas para Madrid, Barcelona e Valencia. A cidade tem mais de tres mil anos de historia e o resultado da influência de diversos povos que passaram por lá (romanos, bárbaros, arabes, etc) pode ser visto em monumentos, centro histórico, torres, igrejas e outras construções.
Em Sevilha, becos como esse da foto acima (eu adoro um beco por mais que eles pareçam misteriosos) estão em todo o centro histórico e em uma de suas principais atrações, a Juderia, ou bairro judeu. Sevilha foi fundada pelos tartessos, concretamente os turdetanos, cerca do século XIII a.C., com o nome de “Hispal”. Depois foi ocupada pelos fenícios e cartagineses. Depois passou pelos romanos, visigodos e mouros, que lhe deram o nome de Ishbiliya (árabe أشبيليّة) que derivou depois em Shbiya para terminar no nome atual. Nesta época a sua riqueza cultural cresceu enormemente pela cultura árabe, em tanto que tinha dependência do Califado de Córdoba convertendo-se na mais importante de Al-Andalus. Foi capital dum dos reinos de taifas mais poderosos desde 1023 até 1091 governado pela família dos abádidas. Na época almóada construíram-se a Giralda, o Alcázar e a Igreja de São Marcos. Entre finais do século XI e até meados do século XII assentaram-se os almorávides na cidade, uma época muito boa para os negócios e a arquitectura. Os cristãos reconquistaram a cidade em 1248 durante o reinado de Fernando III de Castela.

Sevilha é banhada pelo Rio Guadalquivir. O nome é complicado justamente por ser uma herança dos mouros. Mas é um rio largo, bonito e belas pontes ligam os dois lados da cidade. O clima de Sevilha é mediterrânico, com influências continentais. A temperatura media anual é de 18,6 °C, o que faz desta cidade uma das mais quentes de Europa. Os invernos são suaves. Janeiro é o mês mais frio, com médias entre 5,2 °C e 15,9 °C e os verões são muito quentes. Julho possui as medias mais altas, entre 19,4 °C e 35,3 °C e todos os anos superam-se os 40° em varias ocasiões. As temperaturas extremas registadas na estação meteorológica do Aeroporto de Sevilha foram de -5,5 °C, em 12 de Fevereiro de 1956 e 46,6 °C, em 23 de Julho de 1995. Há um recorde não homologado pelo Instituto Nacional de Meteorologia que é de 47,2 °C em 1 de Agosto de 2003. As precipitações são de 534 mm por ano, concentradas de Outubro a Abril. Dezembro é o mês mais chuvoso, com 95 mm. Há 52 dias de chuva por ano, 2.898 horas de sol e 4 dias de leve possibilidade de gelo.
Sevilha foi sede da Expo 92, Mas, muito antes disso, sediou a primeira Exposição Iberoamericana, em 1929, da qual ficou Praça de Espanha. Da Expo’92, permanecem parte das instalações que foram reconvertidas no parque tecnológico mais importante da Andaluzia, o parque temático “Isla Mágica” e a monumental ponte do Alamillo sobre o rio Guadalquivir do arquitecto Santiago Calatrava. Destaca-se na actualidade a realização das obras do Metro de Sevilha. Esses e outros eventos deram a cidade toques de modernidade como amplas avenidas e parques com muitas arvores.
estive lá no domingo de Páscoa. Sem dúvida alguma, a principal festa de Sevilha é a Semana Santa, na qual 59 irmandades desfilam pelas suas ruas, saindo dos diversos templos até à “Carrera Oficial” (percurso oficial obrigatório para todas), que começa na Campana e finaliza ao sair da Catedral, onde se realiza a estação de penitência. Um terço da população participa nas confrarias como irmãos da luz, “costaleros” ou membros de uma banda.

Igualmente destacável é a “Feria de Abril”, festa de carácter folclórico que reúne cada ano milhares de pessoas vindas de toda Espanha (e não só) no recinto “ferial”. São típicas as “casetas” (barracas com forma de tendas) onde as pessoas se reúnem para cantar e dançar sevilhanas e flamenco. Durante a semana de “feria” realizam-se uma série de touradas de fama nacional, na conhecida praça de touros de Sevilha “La Maestranza”. Um dos destaques da cidade é a Catedral, considerada uma das maiores do mundo, as torres, o museu das carruagens.