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Fatima Dannemann

Quando eu era estudante, adorava escrever quadrinhos. Meus cadernos tinham historinhas no alto da página como uma forma de não arrancar as páginas. Tinha poucos leitores. Dois ou tres, contando comigo. Pois quando fui trabalhar na Tribuna da Bahia, já formada, continuei com a mania. Além de meus personagens habituais, Jarascavel, Perereca, Jabuti, criei outros. Estes eram mais do que “levemente desinspirados” na redação. Estavam lá retratados, alem de mim mesma, claro, os colegas. Não mostrava a ninguem, ou a quase ninguem, Angela Peroba (onde será que ela anda) lia e se acabava de dar risada.

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O titulo era invariavelmente o mesmo, “certo dia, na redação do Tapinha”. Isso porque eu dizia que no dia em que eu tivesse um jornal, sairia ao meio dia. Meus argumentos. A pessoa acorda de manhã e já tomava a “porrada matutina” nos jornais. Saindo mais tarde, o impacto seria de apenas um tapinha, aquele que dizem que não doi. Mas doi, sim. Só que menos. Mas isso foram nos idos dos anos 80. O mundo era outro. A ditadura já sufocava menos, os exilados voltaram, começamos a gritar Diretas Já . As diretas nem vieram logo. Vi Tancredo morrer, o cruzeiro virar cruzado, depois cruzeiro, depois cruzado novo dependia do Plano da vez. Meus personagens mudavam de acordo com o vai e vem da redação. Leleonel era tão grande que só aparecia as pernas nas historinhas. Dorival Penacho era um índio. Criei o personagem inspirada num apelido que Marquinho Moreira colocou em Derval Gramacho, colega e amigo que depois namorou e casou com Vitoria (a Vivi das historinhas) e foram felizes para sempre apesar de alguma oposição (sim, existem espíritos de porcos até em redações de jornal).

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A Tribuna nos dava uma certa liberdade de expressão e essa era exercida no mural. Normalmente murais são instrumentos oficiais para ficar comunicados iternos, proibições, tabelas de aniversarios, etc. Pois no nosso dava de tudo: listas, abaixo assinados, gracinhas, comentarios, piadas, concursos de miss e – acho que era o preferido da galera – o de Rainha da Primavera. Só dava Oliveira ou Jolivaldo em primeirissimo lugar porque os concursos geralmente eram unissex: valia viotar em quem quisesse a ambos tinham flairplay suficiente para desfilar. Eram esses momentos “tapinhas”, que alem de não doer acabavam agradaveis, que dava animo para os momentos porrada.

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Trabalhar até tarde significava não só – para mim a gloria – a garantia de uma materia assinada e com destaque mas que depois teriamos uma ótima desculpa para ir ao Abaixadinho lavar roupa suja, passar roupa limpa, tomar uma e fazer hora enquanto decidia-se para onde ir. É que lá pelas tantas chegava alguem com recados tipo “eu soube que vai ter uma festa na casa de fulano”. E ia todo mundo na cara de pau. Se era verdade, ótimo. Se não, havia sempre um boteco nas imediações. O jornal era pequeno comparado com outras corporações editoriais. Por isso todo mundo se conhecia. As festas eram animadíssimas especialmente as da casa de Aidil, telefonista, que começavam pela manhã e só terminavam altas horas da noite. Mas trabalhavamos muito. O salário não chegava a ser lá essas coisas, a inflação comia tudo. Eram épocas dificeis. Momentos tensos eram mais frequentes do que os relax e uma vez cheguei a fazer uma contagem tregressiva quando um chefe saiu de férias e outro foi substituir.

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Não, eu não sou saudosista. Era uma vida de cão, mas até os cães são felizes e eu tive muitos momentos felizes. Mas é como se eu estivesse vivendo aquilo tudo ao vivo, hoje. Eliana, secretaria, pedindo silêncio enquanto pegava a lista de sepultamentos. Valdemir me dizendo “leia a pauta, olhe que o lead está na pauta”. Mara Campos, sempre serena. Roque Mendes e seu excesso de organização de virginiano. Os “Menudos”, os diagramadores: Jorge, Geneumir, Vado, Marcos. Esse papo todo é só para contar sobre a comunidade Velha Tribuna da Bahia, que está bombando no Facebook, reunindo muita gente boa. Fundadores como o professor Sergio Mattos, famosos como o deputado Jean Willys, e muito mais. Um ponto de encontro de um jornal que foi escola e inspiração para muita gente e que mesmo com dificuldades continua vivo, graças a Deus.

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Em Agrigento, Sicilia, está um dos conjuntos arqueológicos mais impressionantes da antiguidade clássica, o Vale dos Templos, nos arredores de Agrigento, uma belissima cidade a beira-mar da ilha das tres pernas. Sete templos dedicado a importantes divindades gregas como Hera, Hercules, Vulcano, Esculápio e outros estão lá mostrando que a grandiosidade da fé do povo independe de tempo e de espaço.
O mais bem conservado é o Templo da Concordia. Mas o de Hera (foto) demonstra ter sido o mais bonito e mais importante, ficando na parte alta da colina de onde se desfruta de uma bela vista para o mar. A colonia de Agrigento data de 580 AC. O período de maior esplendor da cidade coincide com os dois primeiros séculos da sua vida: o período da democracia (471-401 a.C.), que se afirma a autoridade e a personalidade de Empedocle, ao qual se deve a retomada da atividade de edificação com a construção da maior parte dos templos.



Fatima Dannemann

Nas revistas, anúncios e páginas de turismo, Saint Martin ou Sint Marteen é vendida como “um dos melhores e mais bonitos pontos do Caribe”. Não é exagero. Esta ilha de 80 mil habitantes, dividida entre franceses e holandeses, é de fato um presente dos deuses para nativos e turistas. Belíssima, com vistas para outras ilhas como Anguila e Saint Barth, a ilha de dupla nacionalidade possui lagunas, enseadas, Marinas, resorts e um porto que recebe anualmente os maiores e/;ou mais luxuosos navios e iates de cruzeiros do mundo.
Um marco no alto de uma colina, revela o que a ilha tem de peculiar. De um lado, uma bandeira de cores azul, vermelha e branca com listas horizontais, De outro, uma bandeira com as mesmas cores de listas verticais. Sim, Holanda e França dividem a ilha onde moram cerca de 100 mil pessoas, entre nativos e imigrantes, que vivem basicamente de comercio e turismo, habitando as duas capitais Marigot (francesa, onde circula o euro, e é, segundo os próprios nativos, “mais organizada”) e Phillipsburg (holandesa, onde circula o dólar e o florin, e é, segundo os turistas, “mais alegre, lembrando o clima de Amsterdan”).
Nesta ilha, a água é obtida através de dessalinizador. Nãio há rios nem fontes de água potável. No lado francês, é proibido cassino e outros jogos. No lado holandês, a fila na porta do ministério do trabalho revela que, alem dos locais, imigrantes também lutam por uma colocação nos resorts ou condomínios de luxo que existem na região. No comércio, predominam orientais. Chineses e indianos principalmente. Mas, assim como em ilhas vizinhas, os visitantes podem comprar jóias e semijoias baratinho e ainda se deliciar com vitrines de lojas de griffes e produtos importados. Mesmo com os contrastes, não se vêem mendigos nas ruas e povoados da ilha.

Os versos “triste Bahia, oh quão dessemelhante” nunca estiveram tão atuais. Moradores de Saklvador andam descontentes com os rumos da administração e começaram a se reunir para protestar contra o estado em que a primeira capital brasileira se encontra.

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Pelo gosto desse grupo de descontentes, o prefeito deveria deixar o cargo imediatamente. “Quem agüenta esperar até 2012?” perguntam. As manifestações contra o governo no Egito e na Tunisia foram citadas como inspiração.

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Enquanto isso, a Transalvador não vê os desmandos dos motoristas que fazem carga e descarga. Existe uma lei regulando esses serviços, mas pelo visto, algumas empresas preferem elas mesmas fazerem suas leis.

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Hoje (terça-feira, primeiro de fevereiro), na Av., Paulo VI, numa pracinha em frente a uma clinica de cardiologia, um caminhão de refrigerante ocupava um abrigo indiferente ao fato de que as pessoas não poderiam ver nem apanhar seu ônibus em segurança.

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Isso nunca dá em nada. Mesmo que todos sejam prejudicados, ainda há quem deboche de quem reclame de situações como caminhões de carfa e carros particulares parados em cima de calçada de pedestres . Resposta dos fiscais de transito “não podemos fazer nada”.

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E as matriculas da rede municipal? Mães e pais dormem dias seguidos na fila e não conseguem resolver nada. Moradores de bairros mais afastados reclamam que a prefeitura faz propaganda enganosa. “Matrícula pela internet? Como? O sistema vive fora do ar”.

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Bahia, segurança zero: domingo, em plena luz do sol, as 16h30min, o jornalista Aldoi Trípodi escapou por um triz de ser assaltado na Estação da Lapa. Felizmente ele pressentiu o clima suspeito e correu. Mas ouviu da PM quando foi reclamar o famoso “não podemos fazer nada”.

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Enquanto isso, a noticia que pipocou na Internet nesse começo de mês foi a de um policial que resolveu dar tiro em um shopping Center de luxo depois de uma desavença . Segundo as noticias, o policial estava embriado. E ai? Quem pode fazer alguma coisa?

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