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Todas as noites, no horário nobre, entre um número de dança indiana e um de gafieira, Tarso (Bruno Gagliasso) tem alucinações, ouve vozes, amanhece dormindo na praia. Caminho das Índias de Glória Perez, novela que a Rede Globo exibe às 21h mostra que o que a sociedade chama de “doido” ou “maluco” muitas vezes são pessoas que poderiam levar uma vida “normal” com a assistência adequada. Mas, o que a novela não mostra é que muito do comportamento humano é esquisito e que todo ser humano está sujeito a transtornos mentais de maior ou menor grau do que os mostrados na novela.

Maria de Fatima Dannemann

Einstein aparece em uma foto fazendo careta. Van Gogh cortou a orelha. Manias esquisitas, sim. Mas para o público eles são apenas gênios. A Princesa Diana foi internada várias vezes devido as crises de bulimia. Mas todo mundo só se lembra de sua “elegância” e “esbelteza”. No entando, se um vizinho começa a gritar ou xingar o prédio em frente em plena madrugada todos dizem que é porque ele é “doido”, uma “ameaça a sociedade” e deveria “ser internado”. O vizinho e Tarso, personagem de Bruno Gagliasso em Caminho das Índias, vive um problema que a sociedade esconde mas que está acometendo cada vez mais pessoas por uma série de fatores segundo dizem os psiquiatras: um transtorno mental.

Depressão, esquizofrenia, bulimia, anorexia, transtorno bipolar, TOC, fobias, síndrome de pânico, todo mundo está sujeito a elas segundo os médicos. O que impede, muitas vezes, o tratamento desses transtornos é o preconceito contra a atividade dos psiquiatras e psicólogos, o isolamento a que a sociedade impõe aos portadores dos transtornos, e até a crença de que a pessoa está “possuída” por algum “espírito ruim”. As vezes bastaria medicamento e terapia para que a pessoa revertesse o quadro negativo e voltasse a ter uma vida normal e produtiva.

Volta por cima

Doenças como a esquizofrenia são associadas ao mendigo de rua, ao “doidão” do colégio que fala arrastado, a mulher abandonada pelo noivo que jura ter mais de uma personalidade ou ainda ao cara que anda de chapéu pontudo dizendo que é Napoleão. O que muita gente nem desconfia é que mais de uma pessoa deu a sonhada volta por cima e um deles ganhou até o Prêmio Nobel. Foi o caso do matemático John Nash, norte-americano que sofria de esquizofrenia na adolescência, mas conseguiu reverter seu quadro e ganhar o Prêmio Nobel de 1994.

Glória Perez contou em entrevista antes da novela porque resolveu mostrar o mundo dos doentes mentais. “Bahuan, personagem do Márcio Garcia, é um intocável. Os nossos intocáveis são os pacientes que têm doença mental. As pessoas não gostam de chegar perto delas porque têm medo de ser agredidas, contaminadas”. Para escrever o drama de Tarso e o trabalho de Aida (Totia Meireles) e Dr Castanho (Stenio Garcia), Gloria foi ao Círculo Psicanalítico do Rio de Janeiro (CPRJ), Nise da Silveira, Pinel. “Percebi que quando se oferece a essas pessoas possibilidades para se expressarem, elas melhoram muito. Aliás, a banda Harmonia Enlouquece, do CPRJ, faz parte da trilha de Caminho”.

A psiquiatra Nise da Silveira, que Gloria homenageia na novela, era contraria a todo tratamento desumano ministrado aos doentes mentais. Nascida em Maceió, Alagoas, em 1906, ela morreu no Rio de Janeiro em 1999. Formou-se em Medicina na Bahia em 1926, única mulher entre 157 rapazes, mudou-se para o Rio em 1927 e em 1933 foi reconhecida como psiquiatra. Nise da Silveira foi militante da Aliança Nacional Libertadora( ANL). Durante a Intentona Comunista foi denunciada por uma enfermeira pela posse de livrosmarxistas. Esta denúncia levou à sua prisão em 1936 no mesmo presídio onde se encontrava preso Graciliano Ramos e ela se tornou personagem do livro Memória do Cárcere. Nos anos 50 ela fundou o Museu de Imagens do Inconsciente, e foi pioneira na psicologia junguiana no Brasil.

Mudanças

Os casos extremos existem e necessitam cuidados. Mas muitos dos hospitais mudaram o aspecto de “penitenciaria” que tinham antigamente. Hoje muitos desses serviços funcionam como hospital-dia. A pessoa vai, participa de tratamento, terapia, etc e de noite volta para casa. No entanto, Durante séculos as pessoas com sofrimento mental foram afastadas do resto da sociedade, algumas vezes encarcerados, em condições precárias, sem direito a se manifestar na condução de suas vidas. Mesmo assim, as atitudes negativas os afastam da sociedade de maneiras mais sutis, mas com a mesma efetividade.

Tarso tem a seu favor a irmã, o avô e a namorada. Tem, entretanto, duas poderosas forças contra ele. O pai, Ramiro (Humberto Martins) que agora finge que não vê e nada está acontecendo) e a mãe, Melissa (Christiane Torloni) que destila todo seu preconceito contra os transtornos mentais e a psiquiatria ao jogar fora os remédios e proibir que o filho continue a fazer terapia. Foi a pressão de Ramiro, que queria por que queria ver o filho trabalhando na empresa da família e os delírios da mãe em achar que nenhuma namorada estaria a altura de seu “príncipe” que levaram o personagem de Bruno Gagliasso à “loucura”.

A novela descreve apenas o problema de Tarso e de outros garotos com transtorno semelhante. Mas, quem for analisar o comportamento de outros personagens de outras novelas vai ver que, como diria a música Vaca Profana, de Caetano Veloso, de perto ninguem é mesmo normal. Raul se achava inferior ao resto da família e concordou até em simular sua própria morte. Os indianos não deixam de ter uma espécie de TOC ao evitar sombras para não ser “contaminados pelo dalits”. Christiane Torloni tem alguma fobia ao envelhecimento. E Zeca é o valentão que esconde algum tipo de fraqueza ou covardia. Na Malhação, Veridiana, a malvada, sofre de bulimia – que é tão transtorno mental quanto a esquizofrenia de Tarso. Sem falar as inseguranças, medos, depressão e transtornos alimentares que a televisão provoca no público em seu noticiário e até em programas mais “amenos”.

cestabasica

Médicos e outros profissionais de saúde recomendam que de vez em quando as donas de casa comprem novos itens de cama, mesa e banho – toalhas, lençóis, etc – por causa de bactérias e outros bichos “escrotos”. Preços de alguns desses itens:

Lençol 150 fios – solteiro – R$ 21,00

Lençol 150 fios – queen – R$ 33,00

Cortina Jacquard – R$40,00

Travesseiro (material não especificado) – R$17,00

Tapete para banheiro – R$ 40,00

Toalha de banho simples – R$ 13,00

Toalha de rosto siomples – R$ 6,00

Manta de Microfibra – de R$ 120,00 (solteiro) a R$ 230,00 (king size)

Jogo de banho 5 peças chenille – R$ 115,00

Fonte: média de preços em lojas de Salvador, pesquisa realizada pela autora da coluna, Jornalista Maria de Fatima Dannemann em junho de 2009

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Bizarro. Assim se define o furdunço que se criou em torno do funeral de Michael Jackson esta semana em Los Angeles. A ultima de algumas midias foi de inventar que o cantor não foi enterrado. Não foi enterrado nas vistas do público. Para este, o circo montado num estádio e transformado em megashow. Se isto agradaria ou não ao astro, não se sabe. Mas não agradou a Elizabeth Taylor que deitou falação contra e não compareceu a fest… ops, a cerimônia.

***

Enquanto isto, as TVs interrompiam toda a sua programação. Por conta do enterro de Michael não teve Sessão da Tarde, Vale a Pena ver de novo, Marcia Goldschmidt e todos os outros programas que enchem a grade das emissoras (e em alguns casos a paciência dos espectadores, já que a programação vespertina das TVs vai de mal a pior).

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E a tradução simultânea? Na Globo estava uma “chose de loque”. A moça traduzia os discursos e o repórter consertava. A tradutora chegou a confundir as palavras “amusing” e “amazing” e traduzir um pelo outro. Pegou mal.

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Enquanto isto, Malhação e a novela das seis vão de mal a pior. Uma já deu o que falar e a outra é uma reprise de uma historia que não tem nada a ver, apenas uma tentativa talvez de homenagear Pantanal (esta sim, um sucesso, daqueles que só se escreve uma vez)

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Paulada na moleira da Globo e de toda a midia foi Dunga e o Brasil faturarem a Copa das Confederações com um time bom, coeso e sem nenhuma das “estrelas” (apagadas, aliás) impostas pelos patrocinadores. Não precisou de nenhum fenomeno, nenhum imperador, nem nenhum gaucho pra ganhar o jogo. Mas – sempre tem um mas, infelizmente – já estão que nem urubu agourando a sorte do Brasil na Copa de 2010. É… realmente ninguem gosta de ver ninguem bem… Ainda mais quando não se participa diretamente das coisas.

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E alguem comentou: e se em vez de Michael Jackson tivesse sido Roberto Carlos? Bom, ainda bem que não foi…

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