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O que Susan Boyle e Ronaldo têm em comum? Aparentemente nada. Mas, na prática são ídolos que de repente mudaram sua relação com a mídia ou parte dela. Ronaldo, agora, só aparece na Globo “a paisana”, sem o uniforme do time ao qual está contratado, que agora é exclusividade do SBT. O próprio dono da emissora lembrou no sábado “o que é que nós somos? Corinthians”. Susan foi aplaudida pelo público, fenômeno na Internet, mas se tornou meio arredia e a mídia logo apontou outros favoritos ao concurso de calouros que ela participou. Não deu outra. Um grupo de dança ganhou a final, Susan ficou em segundo, surtou, foi internada.

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A mídia dá mas as vezes toma. Um caso nunca explicado de como os ídolos consagrados pelo público – ou até pela mídia – que de repente se tornam malditos é o do boneco Fofão. Sucesso nos anos 80 no programa Balão Mágico, o Fofão ganhou destaque, programa próprio, ascendeu aos mais altos limites da glória. Foi quando, “de repente”, um boato começou a tomar conta do Brasil de norte a sul: o Fofão teria sido desenhado pelo diabo em pessoa e dentro haveria um punhal que tomaria a alma das crianças. Niguem sabe quem começou a espalhar essa história. Mas, o fato é que o Fofão caiu em desgraça e o boneco sumiu de circulação. Nada ficou provado, hoje poucos se lembram.

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Enquanto Ronaldo e o Corinthians se tornam exclusivos da emissora de Silvio Santos, a Globo já adota outro “ídolo”, esse ligado, atualmente, ao time do coração da rede carioca, o Flamengo. Adriano, chamado “imperador do Rio”, já ganhou entrevista exclusiva com direito a lágrimas e muita pieguice nos programas de esporte globais, já ganhou destaque no Fantástico e sua família já apareceu (para “variar”, chorando de “alegria”, pois a mídia sabe como explorar a emoção das pessoas e nunca com risos, sempre com lágrimas, naquela do óoo coitadinho). Até quando? Bom, pelo menos até a Seleção que vai a Copa de 2010 (se o Brasil for classificado, claro) for convocada…

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Caetano Veloso, em uma matéria no programa Aprovado, TV Bahia, falou sobre como será o panorama cultural no futuro. Muito do que ele falou, já acontece. Hoje, a Internet consolidou a Globalização e muito do que é ou se torna famoso foi consagrado pela net em blogs ou no You Tube e similares. Muitas das músicas que a moçada ouve em mp3 e mp4 vêm diretamente de programas de compartilhamento e passam longe da massificação programada pelas gravadoras que impõem a presença de gente como Sandy, no quadro Soletrando do Caldeirão do Huck, de Daniel, num elenco de novela, ou mesmo de Ivete Sangalo e Claudia Leite onde der para elas aparecerem – sejam como cantoras (maravilhosas, e isso ninguém precisa de mídia para avaliar) ou sejam como “ótimas” mães. Para Caetano, isso já está mudando e é o que incomoda a industria existente: Susan Boyle foi vítima dessa falta de alinhamento com os “padrões” que a mídia e a industria (incluindo ai gravadoras, editoras, provedores, etc) quer para seus (dela) ídolos: feia, pobre, mocoronga, apesar da voz lindíssima. Enquanto isso procuram até hoje uma sucessora para Billie Hollyday. Mas será que isso é possível?