O acidente com o Airbus A330 da Air France na madrugada da ultima segunda-feira, comoveu o Brasil, mobilizou aviões de vários paises e mais uma vez, é posta em cheque a segurança das viagens aéreas. Desde que foi inventado por Santos Dumont, o avião tem sido o meio mais rápido de chegar a lugares distantes, mas assim como inspira aventuras e sonhos, também provoca medo: somente neste ultimo acidente, 228 passageiros foram dados como desaparecidos sem grandes chances de sobrevivência. Acidentes aéreos mataram gente importante e famosos como o músico Glenn Miller, a atriz Leila Diniz, o escritor Saint Exupéry além do próprio Santos Dumont.

Maria de Fatima Dannemann

Nada mais tênue do que o fio da vida. Diziam os gregos, que as parcas teciam e cortavam esses fios do destino tornando a vida mais longa ou mais breve. Muitas vezes, esses fios são cortados em momentos felizes, durante ou depois de umas férias, ou quando a pessoa busca bons negócios, boas oportunidades de trabalho. Outras vezes, no auge da fama e em plena juventude. Foi assim com Leila Diniz, foi assim com os Mamonas Assassinas, foi assim com o Príncipe Pedro Luis de Orleans e Bragança, quarto na linha de sucessão da monarquia brasileira, um dos 228 passageiros do vôo 447 que sumiu dos radares na altura de Fernando de Noronha, um dos maiores acidentes aéreos deste ano e um dos maiores sofridos pela Air France, considerada uma gigante do setor de aviação civil.
Mais do que ceifar vidas, o acidente abalou a confiança na aviação, mobilizou governos de vários paises que estão empenhados na busca dos destroços da aeronave e não só em corpos mas possíveis sobreviventes, como fez a opinião pública e a mídia esquecer outros assuntos “quentes” como a gripe suína, a dengue, os escândalos políticos, a situação da Petrobras e outras mazelas que, de repente, ficaram em segundo plano. Um acidente desse significa não só a perda de mais de 200 vidas, como a dor de um outro tanto de famílias, amigos, parentes e, no caso deste vôo, prejuízo até para empresas que perderam alguns de seus altos executivos: a Michelin, a CSA tinham funcionários nesse vôo.

Recorde

Apesar das proporções e das circunstâncias – o avião sumiu dos radares, há quem tenha noticias de luzes e explosões ao longe e destroços já foram encontrados no Senegal – o desastre do vôo 447 não chega a ser o pior da história. Em 1977, nas Ilhas Canárias, o choque de dois boing 747 provocou a morte de 583 mortos. Esse, segundo as estatísticas e pesquisas, teria sido o pior acidente de toda a historia da aviação. Em 1985, um outro jumbo (Boeing 747) da Japan Air Lines cai entre Tóquio e Osaca causando 520 mortes. Outra fatalidade envolvendo 747, novamente uma colisão, aconteceu na Índia em pleno voo em Nova Délhi entre um Boeing 747 saudita e um Ilyushin-76 cazaque: 349 mortos, em novembro de 1996.
Há menos de duas semanas, o Brasil já vivia momentos de comoção com a queda de um jato particular no sul da Bahia em que todos os 15 ocupantes da aeronave morreram. Quem chega a São Paulo pode ver o lugar onde o avião da Tam se chocou com um prédio causando uma enorme tragédia no aeroporto de Congonhas em 2007. Ainda no Brasil, o choque entre um jato da Gol e um avião legacy na Amazônia, em setembro de 2006, deixando 154 mortos.
O impacto do acidente desta semana é grande não somente por envolver vários paises na busca e na decifração de um possível mistério (o que teria acontecido com o avião) como por outros motivos. Um deles é que a rota do Atlântico não era palco de acidentes desde 1936. Há, segundo os estudiosos andaram falando na mídia desde segunda-feira, uma zona de convergência intertropical sujeita a turbulências, tempestades e ondas mais altas, e uma área de águas internacionais (sem pertencer a nenhum país) e difícil de ser captada por radares (por isso, afirma-se, que os navios evitam ficar longe de águas territoriais na travessia de oceanos).
O abalo que a Air France sofre é outra conseqüência do desastre. A companhia nasceu em 1933 da fusão entre várias empresas de aviação francesas. A empresa, desde então, só fez crescer e desde 2003, com a fusão com a holandesa KLM, passou a ser uma das gigantes do setor atendendo 258 destinos em 621 vôos gerando 105 mil empregos. Esse vôo 447 é um dos principais elos de ligação entre a França (um dos 10 paises que mais mandam turistas ao Brasil) e o Brasil (o décimo segundo pais que mais envia turistas a França) que tem, desde os tempos da colonização, laços culturais, econômicos, políticos e de amizade um com o outro.

E o vento levou…

O vôo 447 vira assunto de post em blogs e sites de relacionamento e até o escritor Paulo Coelho vem fazendo especulações e dando seus palpites sobre o assunto no Twitter, o micro-blog mais divulgado no momento. O príncipe brasileiro, os executivos das multinacionais, uma dançarina irlandesa são algumas das pessoas que tiveram o mesmo destino de famosos em outros acidentes.

– Glenn Miller, famoso maestro da época das big-bands e do swing, morreu em um misterioso acidente aéreo na época da guerra.

– John Fitzgerald Kennedy Jr – morreu em 1999 num avião em que ele mesmo pilotava. Sua esposa, com quem formava um dos mais belos casais jovens americanos da época, também estava na aeronave.

– Leila Diniz estava com 27 anos e no auge da fama quando morreu em um acidente da Japan Air Lines em 1972. Era uma das mais promissoras atrizes da época e uma das mais polêmicas por desafiar tabus e a censura dos militares.

– O presidente Castelo Branco morreu em um acidente aéreo em 1967 logo após deixar o poder.

– Em 1942, no auge do sucesso, a atriz Carole Lombard morreu em um desastre aéreo nos Estados Unidos quando tentava vender bônus de guerra. Ela era esposa de Clark Gable (o Rhett Butler de E o vento levou)

– O escritor Saint Exupéry fazia uma missão aérea de reconhecimento quando sofreu um acidente e morreu. Seu corpo nunca foi encontrado. Os destroços do avião apareceram em Marselha em 2004.

– Mamonas Assassinas – tão meteórica quanto a carreira musical foi a vida dos meninos que integravam o grupo pop-irreverente que fez sucesso nos anos 90. Um acidente aéreo matou todos no jatinho que transportava a banda.

– Em 11 de setembro de 2001, aviões se chocam e destroem o World Trade Center, Nova York, e parte do Pentágono, Estados Unidos. Não chegou a ser acidente aéreo, foi um atentado terrorista, mas matou centenas de pessoas em terra e no ar.

– As eleições de 1982 tinham como certa a vitória de Cleriston Andrade do PDS até que um acidente de helicóptero no sul da Bahia matou o candidato, outros políticos e executivos do governo numa das maiores tragédias aéreas vistas na Bahia.