Fatima Dannemann

Teste, delete… Quantas vezes lemos isto na linha de assunto de um e-mail em branco? Pois, tirando esta frase do mundo da informática vemos que testar e deletar é tudo o que fazemos em nossas vidas. Testamos e somos testados. E vivemos a apertar a tecla Del em nossa alma para apagar de nossas vidas tudo o que foi, é ou parece ser desnecessário, ou não condizente com a nossa realidade, com nossas verdades.

Teste, delete… Experimentou? Não deu certo? Esqueça. Mude a programação de sua alma. Se tal comportamento parece mais viciado que um arquivo corrompido, apague e esqueça. Se tais relacionamentos parecem mais desgastado que uma versão primitiva ou experimental de um programa, apague… E depois reinicie a sua vida como se estivesse dando reboot em sua máquina.

Há horas em que a informática traz todas as dicas de como agir na vida real. Quando algo nos incomoda como um provedor com linhas eternamente ocupadas, quando algo nos tira do sério como a conexão que cai a todo momento… Só que na vida real, as conexões são necessárias para efetuar o “clean-up” em padrões nocivos, e zerar nossos carmas.

Deletar um programa, arquivo, até um vírus da quarentena, é fácil. Apagar marcas da alma é mais complexo, mas nem por isso impossível. Um upgrade nas virtudes que temos latentes. Quem sabe, procurando a humildade, ou a compaixão, ou o amor universal em nossos registros carmicos. E a partir daí dar uma ordem equivalente ao “instalar programas”. E a medida em que forem instaladas essas virtudes, procurar algo equivalente ao remover programas e tirar da alma todos os pecados capitais, os vícios… Transmuta-los.

Deixar a alma livre de arquivos perniciosos.

Pode parecer difícil. Não somos máquinas. Somos gente e interagimos a todo momento com todos os seres formando uma rede mais que perfeita pois foi concebida pelo Absoluto. E a sua semelhança. E não flutuamos como bytes em fios ou transferências de dados. Existimos em vários planos, tantos planos que é preciso ir fundo para procurar os testes e o que temos que deletar.

“Teste… Delete”… E a frase se repete nos e-mails como se repetem na vida experiências, testes, provas, provações. Bons momentos, horas mais tensas, problemas, soluções. Tudo se alterna. Altos e baixos. Picos de download, horas mais ociosas. Transferências de dados mais rápidas ou mais lentas. Seguras ou não muito confiáveis. E na rede da vida, somos usuários de nós mesmos. Pequenos seres na imensidão do universo. A todo momento apenas repetindo um mesmo procedimento, o de crescer com os testes e aprender com a vida, para que as versões presentes e futuras venham livres dos erros de script das versões passadas.