Barbie, a boneca mais famosa do mundo comemora 50 anos na Feira de Moda de Nova York, evento em que 50 estilistas vão homenageá-la como ícone de moda

 

Maria de Fatima Dannemann

 

           Mônica e sua turma cresceram. As Meninas Super-Poderosas também ficaram mais velhas. Mas, se a Barbie envelhecesse? Bom, talvez se encontrassem nas lojas as versões Barbie-Silicone, Barbie-Botox, Barbie-Lipo ou Barbie-Cirurgia Bariátrica, Barbie-Chapinha já que uma das características que tem cercado a boneca mais famosa do mundo é a sonhada idéia de juventude e beleza eternas. Gracinhas a parte, Barbara Millicent Robert, nascida sob o signo de peixes no dia 9 de março de 1959 em Willows, Winsconsin, criada por Elliot e Ruth Handler, fundadores da Mattel e batizada com o nome de sua filha, foi criada para simbolizar a mulher moderna e independente que nos anos 50 começava a dominar no cenário mundial, mas hoje é criticada por simbolizar justamente a mulher objeto, obcecada por imagem e acusada de favorecer a anorexia e a bulimia além de um ideal de corpo que não existe (a menos que a pessoa se submeta a sucessivas plásticas).

          Amada por uns, odiada por outros, a Barbie é o brinquedo mais vendido em todo mundo. Logo após o seu lançamento vendeu 300 mil exemplares. Nos anos seguintes ganhou um namorado, Ken, amiga, irmã mais nova. Mais recentemente, tornou-se personagem de desenhos animados e em As 12 princesas ganhou versões criança, pré-adolescente, morena, loira, ruiva (embora a personagem principal dos filmes seja invariavelmente loira, olhos azuis, com a cara que lembra Farah Fawcett nos tempos em que As Panteras era tudo o que se tinha na TV de um trio de meninas boazinhas que sabiam bater). A polêmica em torno da Barbie vem desde sua criação. Até então, bonecas eram sempre babies e meninas. A Barbie veio adulta, com pernas enormes, peitões e modelitos absolutamente fashion e passou a inspirar estilistas de todo mundo.

 

Padrões Irreais

 

           Ela é apenas uma boneca. Não diz sim, nem não. Ostenta um sorriso meio enigmático e representa – quase sempre – a mulher bem comportada e bem sucedida. Mas há quem veja na Barbie a culpa de toda a correria por padrões de peso, “saúde” e “beleza” que simplesmente não existem mas levam mulheres de todo mundo a doenças mentais ligadas a alimentação como bulimia e anorexia, e a se submeterem a uma série de cirurgias desnecessárias para atingir o modelo de pernona comprida (e de preferência fina) e peitão turbinado. Esse é um dos motivos que levou a Barbie, nos últimos tempos, a uma queda brutal nas vendas, mas não é o único. Começaram a surgir outras bonecas com os mesmos “padrões” como a Bratz, e a própria Barbie começou a ser clonada, surgindo as “genéricas” vendidas até em sinaleiras e pontos de ônibus.

         Mesmo com todas as cópias, concorrências e críticas, a Barbie tem seus encantos e seu apelo. No ano passado, um shopping de Salvador realizou uma exposição sobre a boneca visitada não só por crianças mas por adultos. Muitas mulheres com mais de 40 brincaram com as bonecas e hoje este é o presente que elas dão as suas filhas e sobrinhas. Numa das lojas de brinquedo mais famosas de Nova York, a Barbie tem uma área dedicada a ela. Um canto inteiro da Toy’R’Us foi transformado em Palácio Cor de Rosa onde são vendidas não somente as bonecas, mas suas roupas e todos os acessórios que lhe acompanham. O que significa que, mesmo com toda crítica, a Barbie tem um apelo forte entre os consumidores.

           Comunidade no Orkut, fã clube com 18 milhões de participantes, a Barbie ganhou vestido de noiva de mais de 100 dólares desenhado por Vera Wang, foi transformada em personagem de filmes, entre as quais Scarlett O’Hara de E o vento Levou, e já teve versões Grace Kelly, Woodstock, praticante de diversas modalidades esportivas, profissional de diversas áreas, grávida, surfista, e mais recentemente versões de fada, sereia e princesas famosas como Rapunzel.