Fatima Dannemann

O vulto na esquina
é o de uma mulher sem rosto
e sem nome.
Misteriosa,
como a alma da noite,
esconde a face
sob o véu de negros cabelos.
Apenas mostra
a boca rubra
de batom barato.

Sombria.
A mulher na esquina
tem cheiro de perigo.
Seu rosto alvo
sem contornos,
lembra ameaça.

A esquina,
numa noite de lua negra,
se divide entre amor e perigo.
Esterlas nem brilham
e a luz do poste esmaecida
revela uma mulher misteriosa.

Sombria.
Tal e qual um fantasma
ela revela a morte anunciada.

Quem é você,
vulto noturno?
Porque näo dorme?
O que procura perdida
na virada da rua,
espectral como fantasma?

E a mulher das sombras
ri sem ter dentes.
E seu riso gela a alma.
Ela não tem rosto, nem nome.
É apenas um vulto.
Talvez um fantasma.