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Uma das coisas mais bonitas que eu vi na Tunisia foi a arquitetura. Em Tozeur, em pleno deserto, a cor de tijolo aparente faz um bonito tom sobre tom com a paisagem. Os detalhes de muitas janelas, verdes ou azuis, combinam com o céu mais bonito que eu vi na vida, e com as tamareiras dos oasis.

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Os mosaicos do Museu do Bardo são fantasticos. Lembram tapetes mas contam histórias: batalhas, lendas. Rendem homenagem as divindades greco-romanas e o colorido discreto é mais um toque de harmonia. Mas em Tozeur, a grandiosidade passa pelo simples: são desenhos geométricos feitos com os próprios tijolos que decoram as paredes. Simples, mas de uma riqueza que impressiona. Como esse detalhe de um antigo harem, hoje museu.

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As mulheres da Tunisia, comparando-se com as de outros paises (não só mulçumanos diga-se de passagem), tem relativa liberdade. Não são obrigadas a usar véus, os maridos só podem casar com uma esposa, elas tem acesso a planejamento familiar, educação, mercado de trabalho, não precisam usar véus e contam com o ministério da mulher e da familia.

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Apesar disso, muitas não abrem mão dos véus e dos trajes tribais e na Ilha de Djerba as noivas andam totalmente cobertas antes da cerimônia como mandam as tradições antigas. Mas, nos hotéis, elas estão impecavelmente vestidas, maquiadas, com bolsas de griffe e sapatos de dar inveja.

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Comparando-se com o Afeganistão, a Tunísia é a Disneylandia. E não só isso, comparand0-se com os ditames de muitas seitas evangélicas, as mulheres da Tunisia estão mais avançadas. Os governantes da Tunisia (sim, há fotos do presidente em todas as esquinas, mas ninguem é de ferro e é preciso acreditar em algo ou alguem) acham que religião demais vira fanatismo e nunca deixou os radicais – que não chegam a 20 por cento de todo o Islã – tomar conta do pais.

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Nesse clima – impensável no mundo do “Livreiro de Cabul” (que aliás tem cenas parecidas acontecendo aqui mesmo no Brasil) – a Tunisia até permite um certo sincretismo. O povo alimenta velhos rituais animistas nas tribos mais distantes. Os trogloditas de Matmata pintam suas cavernas com a mão de Fatma e o peixe da prosperidade e santos levam até nome nas cidades.

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Mas, que ninguem se iluda: a história e a tradição são patrimonio do pais. Sejam  os cartagineses, Anibal, Amilcar, Asdrubal, que dão nome a ruas, barcos, aeroportos. Sejam os costumes do Islã guardados em museus. Ou a culinária preservada nos mínimos detalhes. Como o jeito artesanal de moer o trigo para fazer cuscus.