Fatima Dannemann

 

            

            Você conhece alguém do Acre? Você já viu alguma foto do Acre? O Acre existe ou é uma lenda criada pelos extra-terrestres? Antes que alguém possa rir, aviso, isso é serio e ocupa várias páginas da busca do Orkut. Várias comunidades foram criadas apenas para discutir se o estado mais a oeste do Brasil existe de verdade ou “é uma obra de ficção”. O Acre existe, claro. É tão real quanto o Rio de Janeiro, apenas não aparece na mídia. Assim como não aparecem Rondônia, Roraima, Amapá, e mesmo os mais “chiques” Mato Grosso, Amazonas e Pará. Mas destes três, ninguém duvida. Pipocam comunidades para discutir existência de um Brasil pouco visto, pouco conhecido, pouco mostrado e visitado embora, quem se digna a pesquisar fotos e sites descobre lugares interessantes, sítios históricos e vários endereços que, se o Brasil fosse outro Brasil, seriam um must entre os turistas que têm cultura e dinheiro.

            Distantes dos grandes centros, desprezados pela mídia, esquecidos pelas agencias de turismo (até porque são estados carentes de infra-estrutura e de investimentos na área de turismo e hotelaria), os ex-territórios promovidos a estado sequer são nomes de rua em cidades como Salvador onde Acre e Amapá continuam sendo chamados de “território” e Rondônia e Roraima ainda são Guaporé e Rio Branco. A culpa, dizem, é da mídia, especialmente da televisão, que só mostra o norte do país  quando há crimes como a morte de Chico Mendes, escândalos políticos, como o que envolve os deputados de Rondônia, ou conflitos indígenas, enquanto as novelas insistem em mostrar cidades violentas como o Rio

como verdadeiros paraísos onde ninguém nem trabalha e só vivem na praia pegando onda. Não é assim não, violão.

            A culpa é da mídia e é também da própria sociedade que adora estereótipos. Para muita gente, baiano come acarajé o dia inteiro e toma banho com água de coco, qualquer nordestino tem cabeça chata e os gaúchos são homossexuais somente porque o modelo da calça de seus trajes típicos é um bocado estranho. No caso do Acre, o mais grave é que professores de geografia são os primeiros a fazer piadinhas sobre a não existência do estado. Tudo bem que ninguém nunca ouviu a locutora do aeroporto dizendo: “passageiros com destino a Rio Branco, embarque imediato no portão tal”. Mas, sabe-se lá quantas conexões são necessárias até sair do todo poderoso – e de certo modo racista Sudeste-  até os confins do Norte do Brasil? Apesar disso, moradores de Rondônia (tão longe quanto o Acre, mas atualmente mais famoso por motivos pouco elogiosos – a questão dos deputados) já chegaram a Bahia e de carro.

            As comunidades podem ser engraçadas, ter tiradas de humor, mas revelam algo muito triste alem do descaso para com o norte do Brasil e o esquecimento da mídia: a ignorância dos estudantes brasileiros. Muitos não se abalam em aproveitar o “gancho” para pesquisar ou mesmo procurar fotos e conhecer esses lugares (incluindo Roraima, Amapá e Rondônia) um pouco mais. Preferem todos ficar na gaiatice embora os moradores, nativos e simpatizantes do Acre, Rondônia, etc, tenham criado comunidades pra falar de seus estados e cidade.

            Enquanto a discussão persiste no Orkut, algumas comunidades dizem que “Acre is a lie” outras dizem que “O Acre existe, ora” logo no titulo, há quem aproveite para fazer gracinhas e digam que bem que a globo podia fazer uma novela em que a mocinha iria migrar para o Acre em busca de uma melhor qualidade de vida com mais verde e mais ar puro em vez da poluída e conturbada Miami. Talvez assim, América fizesse mais sucesso. Aliás, falando em América, advinhem para onde o pai de Tião se muda nos primeiros capítulos da novela? Será que foi por isso que o diamante que ele achou na Mina nunca chegou a sua família?

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